Clientes que chegam cedo, leitores que mantêm o hábito há anos e filas motivadas por acontecimentos de grande repercussão fazem parte da relação entre A Tribuna e as bancas do Espírito Santo. O jornal completa 88 anos e mantém a venda da edição impressa em 572 pontos, conforme dados do setor de circulação.
Na Banca da Sirlene, em Cariacica, o proprietário Atamir Bonela afirma que os exemplares com resultados de eleições estavam entre os mais procurados. A demanda, segundo ele, era especialmente intensa no passado. Ainda hoje, há clientes que chegam às 6 da manhã para comprar o jornal.
A permanência desse público também aparece na Banca do Japonês, na Praia do Canto, em Vitória. O estabelecimento foi fundado há cerca de 50 anos por Flávio Ishii e atualmente é administrado por seu filho, Gilmar Sinhorelli, e sua neta, Tayná Iyama.
Advogada de formação, Tayná cresceu acompanhando o funcionamento da banca e divide o tempo entre a profissão e o trabalho com a família. Ela afirma que A Tribuna é vendida no local desde que se lembra e que a procura pelo impresso continua, inclusive entre pessoas que preferem o papel mesmo com as tecnologias disponíveis. “Nós temos clientes já tradicionais aqui”, diz.
Para Tayná, a banca também oferece aos clientes a possibilidade de escolher como acessar a informação. O vínculo com o jornal, segundo ela, faz parte do legado deixado pelo avô e mantido pela família.
Histórias ligadas às bancas
No centro de Vila Velha, a Banca do Alemão vende A Tribuna há 54 dos seus 61 anos de existência. O proprietário, José Luiz Torezani, recorda que acompanhou a publicação de acontecimentos marcantes nas capas do jornal.
Entre os episódios citados por ele está a morte de Edmilson Cândido do Rosário, em 1980. Segundo Torezani, o movimento foi suficiente para formar uma fila de pessoas interessadas em comprar a edição. Para o proprietário, a parceria entre a banca e o jornal contribui para a sociedade.
Em Valparaíso, na Serra, a maior procura por A Tribuna na Banca Planeta Diário ocorre aos domingos. A proprietária, Alessandra Rodrigues Davel Ferro, relata que os clientes costumam elogiar os temas publicados nesse dia, geralmente classificados por eles como leves. Ela também atende leitores que compram o jornal todas as manhãs há anos.
As experiências relatadas pelos responsáveis pelos estabelecimentos mostram diferentes motivos para a compra da edição impressa: acompanhar eleições, buscar informação logo cedo, ler os conteúdos de domingo ou preservar um costume construído ao longo do tempo.








