ESPÍRITO SANTO — A empresa Beaufour Ipsen Farmacêutica informou que não reconhece três lotes da toxina botulínica Dysport: P08191, com validade até abril de 2029; P08192, válido até maio de 2029; e P22368, com validade até fevereiro de 2029. A informação integra a determinação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para recolher produtos irregulares.
A medida também alcança o medicamento Phesgo, usado no tratamento do câncer de mama. De acordo com a Anvisa, a Produtos Roche Químicos e Farmacêuticos identificou, no mercado formal, unidades com características diferentes das do produto original. A determinação se aplica exclusivamente ao lote B5011B05, fabricado em junho de 2025.
Riscos apontados por especialistas
A oncologista Edelweiss Soares, do Hospital Santa Rita, afirma que a falsificação pode afetar a eficácia e a segurança do tratamento. Um produto irregular pode não ter a substância necessária, apresentar dosagem alterada ou conter impurezas. “Se eu não tenho o medicamento certo, na dose certa, ou se ele apresenta uma toxicidade maior, não vou conseguir ter o efeito de matar aquelas células neoplásicas ou doentes do paciente”, disse.
Juliana Alvarenga também destacou o risco relacionado à composição do medicamento. Segundo a oncologista, a ausência do princípio ativo esperado impede que o tratamento produza o efeito desejado. Caroline Secatto, da Rede Meridional, afirmou que, no caso de um produto falsificado, não é possível saber o que está sendo aplicado no paciente.
A situação da toxina botulínica também preocupa Ricardo Tiussi, presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia no Espírito Santo. Segundo ele, o conteúdo do frasco irregular não pode ser identificado com precisão. O produto pode ter concentração diferente da esperada, conter outras substâncias, estar contaminado ou não ser estéril. Entre os riscos citados estão reações alérgicas, intoxicação e infecção.








