SÃO PAULO — A Cripta Imperial voltou a receber visitantes no Parque da Independência, no Ipiranga, zona sul de São Paulo, com uma exposição sobre a formação do monumento e o papel da cripta na construção de marcos cívicos. O espaço também abriga os restos mortais do imperador dom Pedro 1º e das imperatrizes Maria Leopoldina e Dona Amélia.
A exposição inaugural, intitulada “Representações da Nação: O Monumento à Independência e a Cripta Imperial”, reúne painéis produzidos a partir de um concurso internacional promovido pela prefeitura. A curadoria é da historiadora Marly Rodrigues, e o texto de abertura foi escrito pelo arquiteto e escritor Paulo Rezzutti.
A partir de terça-feira (8), a cripta funcionará regularmente de terça a domingo, das 9h às 17h. Esse será também o horário de visitação da mostra.
O mausoléu subterrâneo ficou fechado desde o final de 2022, durante reformas estruturais e trabalhos de restauro que custaram R$ 5,3 milhões, conforme a Secretaria de Cultura da gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB). O investimento também contemplou itens e estruturas do acervo do Museu da Cidade de São Paulo.
Entre as intervenções estão a instalação de novos banheiros, sistema de ar-condicionado e recursos de acessibilidade para pessoas com mobilidade reduzida. O bronze dos sarcófagos imperiais foi restaurado, o teto recebeu fechamento com mármore amarelo e a área externa do monumento passou por limpeza. A Casa do Grito também teve pintura e reparo de trincas.
A colocação de vidros de proteção nas escadas foi destacada pelo orientador socioeducativo Rodrigo Machado, 32, estudante de História, que visitou o local após a reabertura. “Realmente a cripta estava necessitando de uma reforma”, afirmou.
A costureira Tânia Santana, 62, frequentadora diária do parque, foi uma das primeiras pessoas da fila. Ela disse estar curiosa para ver o resultado e avaliou que o espaço pode atrair mais visitantes.
A cripta é associada à memória do Império. Maria Leopoldina foi a primeira ocupante, depois de ser transferida do Rio de Janeiro durante as celebrações do quarto centenário de São Paulo. Os restos mortais de dom Pedro 1º chegaram em 1972, no Sesquicentenário da Independência, após um acordo com o governo português. O coração do imperador permanece no Porto.
Dona Amélia foi trasladada de Lisboa em 1982, depois de permanecer no Panteão dos Braganças desde 1972. No túmulo de dom Pedro, foi mantida a inscrição: “Pedro 1º, fundador do Império constitucional e defensor perpétuo do Brasil.”
Próxima ao monumento, a Casa do Grito é uma construção de taipa de mão associada ao 7 de Setembro por sua semelhança com uma residência retratada no quadro “Independência ou Morte”, de Pedro Américo (1843-1905).








