RUBIATABA — O vendedor Lucas Coelho de Moura, de 34 anos, tenta localizar cinco irmãos dos quais foi separado ainda na infância. A família perdeu o contato há mais de 30 anos e, desde então, não conseguiu descobrir onde eles vivem ou quais nomes passaram a usar após as adoções.
A separação ocorreu depois que Suely Coelho de Moura, mãe de Lucas e dos irmãos, foi denunciada enquanto pedia dinheiro com os filhos na rodoviária de Rubiataba. As crianças foram levadas para a Casa da Criança, em Goiânia. Suely foi encaminhada para uma clínica e, posteriormente, os filhos foram adotados.
O pai de Lucas, Ery Divino de Moura, tentou recuperar as crianças e foi ao Juizado acompanhado dos pais e dos irmãos. “Meu sogro foi com a mãe dele, o pai e os tios até o juizado para tentar pegar as crianças de volta”, conta Paloma Amancio, esposa de Lucas.
Documentos e pistas
Lucas e Paloma procuraram os registros de nascimento dos irmãos. Eles encontraram as certidões de Keine Coelho e Jeová Coelho de Moura. Outras duas, de Daniela Coelho de Moura e Isabel Coelho de Moura, teriam sido anuladas. A família afirma ter identificado os anos em que isso ocorreu e os nomes dos juízes responsáveis.
O caso de Daniel Coelho de Moura também não foi esclarecido. Segundo Paloma, ele foi registrado pelos pais, mas a certidão de nascimento não foi localizada. A família recebeu ainda a informação de que Keine, a irmã mais velha, estaria morando em Bolonha, na Itália. Lucas, porém, não tem contato com ela nem sabe se o dado continua atual.
Além dos cinco irmãos, os parentes descobriram a existência de Wellington Carlos, que seria filho apenas de Suely. Não há outras informações sobre ele.
Tentativa de acessar processos
Lucas e Paloma procuraram o Juizado da Infância para entender o que ocorreu após a separação. Eles foram informados de que o pai de Lucas poderia enviar um e-mail com um pedido assinado para tentar acessar os processos arquivados.
Como não conseguiram recuperar as certidões anuladas, pretendem buscar orientação jurídica sobre o acesso aos documentos e aos registros do caso. “Nós queremos só conhecer eles e desvendar esse mistério, saber se houve alguma audiência antes da adoção”, afirma Paloma.
A procura é dificultada porque Lucas cuida sozinho do pai, o que reduz a possibilidade de comparecer pessoalmente a diferentes órgãos. A família também não tem fotografias dos irmãos nem possíveis nomes adotivos. Por isso, passou a divulgar a história nas redes sociais.
Uma advogada e uma detetive procuraram a família para oferecer ajuda. Paloma afirma que a mobilização aumentou após as publicações. Lucas espera encontrar documentos e pistas que permitam localizar os irmãos e reconstruir o vínculo familiar perdido na infância.







