NATAL — A Prefeitura do Natal realizou um percurso com pessoas com deficiência, gestores públicos e representantes de instituições para identificar barreiras de acessibilidade na cidade. A atividade ocorreu na Praça Cívica, em 21 de setembro de 2026, como parte da programação da Semana Nacional de Trânsito e em alusão ao Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência.
Chamado de “Percurso com Outro Olhar”, o trajeto permitiu que os participantes observassem dificuldades de circulação a partir de diferentes condições. Gestores utilizaram cadeira de rodas, bengala e óculos que simulam situações de baixa visão para experimentar obstáculos encontrados nas ruas.
Obstáculos observados no trajeto
Durante a atividade, os óculos de simulação ajudaram a demonstrar como a diferença de textura e cor entre a grama e o concreto pode facilitar ou dificultar a identificação do caminho. Já o uso de cadeira de rodas e bengala evidenciou problemas relacionados a desníveis, obstáculos e condições das calçadas.
A secretária de Mobilidade Urbana, Jódia Melo, afirmou que a experiência aproxima gestores e técnicos da realidade vivida pelas pessoas com deficiência. “A gente sabe que hoje precisa ter uma cidade para as pessoas e uma cidade para todas as pessoas”, disse.
Entre os problemas apontados por Jódia estão rampas construídas em frente a residências para permitir a entrada de veículos em garagens. Segundo ela, essas estruturas podem criar desníveis e dificultar a circulação. A secretária também citou a necessidade de demolir e refazer trechos de calçadas para torná-los acessíveis.
A Secretaria de Mobilidade Urbana mantém projetos para implantação de abrigos e calçadas acessíveis, além de intervenções em canteiros centrais para facilitar travessias. As ações mencionadas incluem as avenidas Deodoro, Romualdo Galvão, Hermes da Fonseca e Prudente de Morais, além da implantação de faixas elevadas.
Relatos de participantes
Dário Gomes, presidente da Sociedade Amigos do Deficiente Físico (SADEF/RN) e usuário de cadeira de rodas, afirmou que as barreiras também aparecem dentro dos estabelecimentos. Ele citou mesas que dificultam a aproximação de cadeiras de rodas e banheiros com portas inadequadas para entrada ou movimentação.
Gomes também apontou dificuldades no transporte coletivo e defendeu a ampliação dos ônibus com piso baixo e a adaptação das paradas, de modo que cadeirantes possam utilizá-las sem bloquear a passagem de outros pedestres.
A arquiteta Fernanda Farache, da Secretaria Municipal de Educação, participou usando óculos de simulação de baixa visão. Ela relatou insegurança durante o percurso, principalmente pela dificuldade de perceber obstáculos e a proximidade da rua.
Miguel Trigueiro, diretor do Departamento de Engenharia de Trânsito da STTU, avaliou que a vivência revelou desafios que podem não ser percebidos apenas com base em normas e orientações técnicas. A Semana Nacional de Trânsito reúne ações de conscientização sobre segurança viária, mobilidade e convivência no trânsito, com atividades para diferentes públicos.







