GOIÂNIA — Uma amiga alertou Maria Aparecida Batista Moura a procurar um pronto-socorro depois de ver imagens dos ferimentos que surgiram nos seios da empreendedora após um procedimento estético. Até então, Maria seguia as orientações da fisioterapeuta Magda Oliveira da Silva e acreditava que as lesões faziam parte da recuperação.
O alerta ocorreu por volta do 14º dia após o procedimento. Maria havia enviado novas fotos à profissional, que pediu seu retorno ao consultório para continuar o uso de uma pomada e fazer pontos na região. A amiga, cuja irmã é médica, recomendou que ela não voltasse ao local e mencionou o risco de infecção.
“Eu já comecei a chorar, porque até então parece que eu estava cega”, relatou Maria.
Atendimento médico e complicações
Maria procurou atendimento e, após ser avaliada, foi encaminhada para uma unidade especializada. Depois de aguardar por uma vaga, acabou transferida para uma unidade em Senador Canedo. Durante o atendimento, soube que outras pacientes também haviam enfrentado complicações.
A empreendedora afirma que entrou em um grupo com 25 possíveis vítimas depois de saber da prisão da fisioterapeuta e conhecer outros relatos. Magda Oliveira da Silva foi presa pela Polícia Civil em Goiânia, suspeita de causar lesões graves em pacientes durante procedimentos estéticos invasivos.
Maria conta que ainda tenta assimilar o que aconteceu e questiona a decisão de realizar a intervenção. “Parece que não foi nem comigo. Eu ainda estou em choque, parece que estou fora de mim”, afirmou.
Como começou o procedimento
Maria procurou a fisioterapeuta para fazer um levantamento das mamas com endolaser após receber a indicação de uma amiga que já havia feito tratamentos com Magda. Ela também viu nas redes sociais a divulgação do procedimento e enviou uma foto da região para avaliação.
A profissional confirmou que Maria poderia participar como modelo, com autorização para o uso de imagens de antes e depois sem mostrar o rosto. O preço informado era de R$ 1,8 mil. Como estaria de folga, Maria marcou o atendimento para o dia 3 de setembro.
A empreendedora afirma que recebeu anestesia local e, depois, uma substância cujo conteúdo não soube identificar. Na sequência, um equipamento de laser foi usado na região. Segundo Maria, houve sensação intensa de calor e dor durante a aplicação, mesmo com a anestesia. Ela diz ter avisado a profissional, mas o procedimento continuou após a aplicação de mais anestésico.
Maria também estranhou o início do atendimento porque, segundo seu relato, não foram feitas marcações nos seios. Ao olhar a região no espelho, percebeu que estava machucada, mas acreditou que aquilo pudesse ser esperado.
Lesões aumentaram nos dias seguintes
O procedimento terminou por volta das 20h. Na manhã seguinte, Maria acordou com bolhas e procurou a fisioterapeuta para saber se a reação era normal. De acordo com a paciente, recebeu a orientação de continuar utilizando a pomada indicada e manter a rotina de trabalho.
Nos dias seguintes, as lesões se agravaram. Maria relata desconforto durante as atividades, especialmente ao usar sutiã, e afirma que a recuperação não evoluía como esperava. A fisioterapeuta teria enviado imagens de outras pacientes com lesões após procedimentos semelhantes para mostrar que aquela reação poderia ocorrer durante a recuperação.
A situação mudou quando a ferida se aprofundou. Maria diz que demorou a procurar atendimento porque confiava nas orientações recebidas. Ela também afirma que ficou especialmente abalada ao mostrar o estado dos seios à profissional e ouvir que deveria retornar para que fossem feitos pontos.
Investigação
Até o momento, a Polícia Civil identificou sete vítimas. Os relatos envolvem procedimentos em regiões íntima, facial, glútea e mamária, com menções a queimaduras, cortes, sangramentos, infecções, necrose, perda de tecido e cicatrizes.
Durante a operação, foram cumpridos três mandados de busca e apreensão em locais ligados à fisioterapeuta. A corporação informou que recolheu celulares, documentos e medicamentos, além de encontrar produtos vencidos. Também foi constatado que o local não tinha licença sanitária para funcionar.
A prisão ocorreu na última segunda-feira (21), em Goiânia.







