SERRA — O rastreamento de uma transferência de criptomoedas ajudou a Polícia Civil a identificar os beneficiários do dinheiro e a prender sete dos nove investigados pelo sequestro de um investidor. A vítima foi levada para uma área de mata em Jardim Carapina e obrigada a movimentar ativos digitais sob ameaças.
A operação que resultou em seis prisões ocorreu no dia 27 de agosto. Willian já estava detido por tráfico de drogas, crime pelo qual foi preso em flagrante no mesmo dia do sequestro. Samuel e Ana Júlia continuam foragidos.
Caminho dos valores
A vítima transferiu aproximadamente R$ 20 mil, equivalentes a cerca de 3,7 mil USDT, criptomoeda conhecida como Tether e vinculada ao valor do dólar. A intenção do grupo era obter até R$ 5 milhões, mas o pai do investidor rastreou o celular dele e acionou a polícia.
A primeira transferência foi direcionada a Adilson, apontado como líder da associação criminosa. Depois, os valores foram distribuídos para Laís, esposa de Adilson, e também para Enoque, Erlan e Osmar. Para o delegado Gianno Trindade, titular da Delegacia Especializada de Segurança Patrimonial, essa divisão dos recursos é chamada de “smurfização” e pode dificultar o rastreamento.
A investigação também analisou dados de celulares, mensagens e localização. Conforme a polícia, essas informações foram cruzadas com os registros financeiros para relacionar os beneficiários à execução do crime.
Gianno Trindade explicou que a transação foi realizada por meio da empresa de blockchain Tron. Cada operação gerou um código alfanumérico, chamado hash. Com autorização judicial para acessar o sigilo financeiro, os investigadores chegaram à corretora usada na movimentação e à pessoa responsável pela carteira que recebeu os ativos.
Monitoramento e fuga
Segundo a Polícia Civil, o investidor vinha sendo observado por cerca de um ano. Os criminosos conheciam sua rotina, os lugares que frequentava e os horários em que praticava esportes. O delegado Gabriel Monteiro, do Departamento Especializado de Investigações Criminais, afirmou que a exposição da vítima nas redes sociais, com informações sobre patrimônio e atuação no mercado de criptomoedas, teria motivado a escolha.
Na manhã do sequestro, no dia 11 de junho, o homem estava em um Porsche quando foi abordado. Os criminosos o colocaram em um Chevrolet Celta e o levaram para a região de mata, onde ele sofreu agressões e ameaças de morte.
A Polícia Militar e o NOTAER passaram a circular pela área. Nesse momento, Ana Júlia, apontada como responsável por transmitir informações sobre a movimentação policial, foi identificada. A vítima conseguiu escapar e pulou de um barranco.
A polícia afirma que o grupo se reuniu para praticar o sequestro, embora seus integrantes já fossem ligados a roubos, tráfico, homicídios e outros delitos. Adilson é apontado como líder e primeiro destinatário dos valores; Osmar, como um dos líderes e participante da abordagem; Samuel, como motorista do Celta; e Enoque e Erlan, como executores da ação.
Laís teria recebido e repassado parte do dinheiro. Irlan foi relacionado ao veículo e à tentativa de apresentar uma versão falsa de que o Celta havia sido roubado. Willian teria atuado na logística e na tentativa de apagar provas. A polícia trata o caso como extorsão com restrição de liberdade, modalidade também descrita como sequestro-relâmpago.








