FORTALEZA — A síndica do edifício onde Isabelle Caracristi morava afirmou à Polícia que João Munhoz Neto pediu ao porteiro que procurasse o celular da jovem nas lixeiras do prédio no dia seguinte à morte. Segundo o depoimento, ele também teria impedido a entrada dos familiares de Isabelle no imóvel.
Isabelle morreu após cair do terraço do apartamento onde vivia com Neto, em um bairro nobre de Fortaleza. Ele está preso e é investigado pela Polícia Civil do Ceará. A defesa nega as acusações.
Ainda conforme o depoimento, Neto teria retornado ao edifício, mandado limpar o apartamento, retirado objetos e colocado o imóvel à venda. O celular de Isabelle foi encontrado pela Polícia junto ao corpo. No aparelho, foram recuperadas mensagens e áudios enviados a familiares e amigas antes da morte.
Relatos enviados antes da morte
Em uma gravação encaminhada ao primo, Isabelle relatou ameaças que, segundo ela, partiam do namorado. “São ameaças diretas vindas dele, entendeu?”, afirmou. Em outras mensagens, descreveu restrições impostas por Neto, como a proibição de publicar fotos e a dificuldade de realizar atividades sozinha.
A estudante também contou às amigas que ele a impedia de sair do prédio e permanecia na porta para bloquear sua passagem. Antes de morrer, enviou uma mensagem de despedida ao irmão e à mãe.
A mãe, Isorlanda Caracristi, disse que não foi avisada diretamente por Neto e que precisou ir ao prédio para saber da morte da filha. Conversas recuperadas também registraram uma discussão financeira. Segundo a investigação, Neto cobrava R$ 13,5 mil de Isabelle. Em depoimento, ele afirmou ter emprestado pouco mais de R$ 14 mil e negou ameaças.
A advogada da família, Patrícia Viana, declarou que o namorado teria feito outras cobranças e exigido a localização de Isabelle. A defesa, representada por Ligia Peixe, nega controle e abuso psicológico e apresentou um pedido de habeas corpus.
A Polícia Civil já ouviu 25 pessoas e apura a relação de Neto com outra mulher. Câmeras mostram Isabelle chegando ao prédio acompanhada dele e subindo ao 15º andar. Às 19h12, ela foi registrada pela última vez no elevador.
A perícia concluiu que a queda foi voluntária, descartou a hipótese acidental e não identificou lesões de defesa que indicassem luta corporal. A Polícia analisa mais de 700 vídeos das câmeras e investiga o celular de Neto, que contém mais de 400 mil mensagens, além de e-mails e dados de localização.








