PARIS — Uma parede descoberta durante as escavações do Hôtel-Dieu, na Île de la Cité, apresenta marcas de fogo que podem relacioná-la à antiga Lutécia. Arqueólogos responsáveis pelo trabalho e o Ministério da Cultura francês avaliam que a estrutura pode integrar as muralhas do assentamento associado aos primeiros habitantes da região de Paris.
A descoberta ocorreu nesta quarta-feira, 23, durante obras no hospital localizado ao lado da Catedral de Notre Dame. A parede tem 20 metros de largura e foi construída com pedra e madeira. Ferramentas de datação de carbono indicaram que as partes queimadas correspondem ao período em que ocorreu a Batalha de Lutécia.
Relação com os relatos romanos
A presença do fogo é relevante porque coincide com um relato de Júlio César sobre a região. Em sua série de livros sobre as Guerras Gálicas, o general romano descreveu que os povos da Gália teriam incendiado Lutécia antes do confronto com os romanos.
A primeira menção histórica à cidade aparece justamente nesses registros. Júlio César afirmou que Lutécia ficava em uma ilha no rio Sena, mas a descrição não determinava sua localização com precisão. Por isso, parte das teorias arqueológicas apontava Nanterre, na região oeste de Paris, como possível local do assentamento.
A ocupação da Île de la Cité
A tribo Parisii construiu assentamentos na área que hoje corresponde à Île de la Cité, ilha situada no curso do Sena. Naquele período, a região fazia parte da Gália, território habitado por tribos celtas que foi ocupado pelos romanos e incorporado ao Império.
A ministra da Cultura francesa, Catherine Pégard, afirmou que a descoberta pode ter importância para o estudo da Lutécia, mas ressaltou a necessidade de confirmar a função e a cronologia da parede. “A convergência de evidências é particularmente notável”, declarou.







