ESTADOS UNIDOS — O CPAP continua sendo o tratamento padrão-ouro para a apneia obstrutiva do sono, enquanto o medicamento oral AD109 ainda passa por estudos. A opção combina atomexitina, usada no tratamento do TDAH, e oxibutinina, segundo a pneumologista e médica do sono Jessica Polese.
A pesquisa acompanhou 646 pacientes com apneia de níveis leve a grave durante 26 semanas. Nenhum participante usava CPAP. Os voluntários foram separados entre um grupo que recebeu AD109 e outro que utilizou placebo.
Entre os pacientes tratados, houve redução de 44% no índice de apneia-hipopneia, medida usada para avaliar a frequência das interrupções da respiração durante o sono. No entanto, o estudo não identificou melhora estatisticamente significativa na fadiga nem na qualidade de vida.
Um em cada cinco participantes abandonou o tratamento por causa de efeitos colaterais. Entre as reações citadas estão boca seca, insônia, náusea e hesitação urinária. O medicamento ainda está em fase de desenvolvimento nos Estados Unidos e poderá usar o nome comercial Oxnimbi caso seja aprovado.
Como a apneia afeta o sono
A apneia obstrutiva do sono ocorre quando a garganta se fecha repetidamente durante o sono e interrompe a passagem do ar. De acordo com Jessica Polese, o problema está relacionado à flacidez da musculatura e das estruturas da orofaringe, o que impede que o ar chegue ao pulmão.
As pausas na respiração podem acontecer durante o sono, mas se tornam um problema quando ocorrem repetidamente, mais que cinco vezes por hora de sono. A condição é associada a riscos como hipertensão arterial, arritmias, doença cardiovascular, AVC e diabetes tipo 2.
O tratamento depende da gravidade, da anatomia e das preferências de cada paciente. Além do CPAP, podem ser indicados aparelhos intraorais, tratamentos miofuncionais, cirurgias específicas e perda de peso quando há excesso de peso associado.
Experiência com o CPAP
O aposentado Daniel Barroso, de 76 anos, usa o aparelho há aproximadamente um mês. Ele começou o tratamento depois de observar a melhora no sono da esposa, que também tem apneia.
Daniel relatou que dormia pouco e tinha um sono agitado. Na primeira noite com o CPAP, dormiu por 8 horas; antes, dormia quatro ou cinco horas. Também afirmou que deixou de sentir cansaço durante o dia e avaliou que o custo-benefício do aparelho é melhor que o do medicamento. Para a pneumologista e médica do sono Simone Prezotti, o CPAP mantém a garganta aberta por meio de um fluxo contínuo de ar fornecido por uma máscara.








