SÃO PAULO — A Controladoria-Geral do Município (CGM) abriu uma investigação sobre a fiscalização de um prédio em construção que desabou sobre uma casa na Rua Tequici, na Penha, zona leste de São Paulo. O acidente aconteceu por volta das 2h deste sábado, 12, e deixou cinco mortos. Uma pessoa ainda está desaparecida sob os escombros.
A construção tinha 11 andares e atingiu o imóvel vizinho, onde moravam nove pessoas. Entre os moradores estava uma família boliviana que também mantinha uma oficina de costura no endereço. Duas mulheres, sendo uma grávida, morreram no início do resgate. O Corpo de Bombeiros localizou outros três corpos durante o sábado.
Uma menina de 7 anos e um homem de cerca de 30 anos foram retirados com vida e levados pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) ao Hospital Municipal do Tatuapé – Dr. Cármino Caricchio.
Na noite de sábado, a operação já durava mais de 21 horas e reunia 59 bombeiros, 20 viaturas, equipes da Defesa Civil e da Prefeitura, além de cães farejadores. O Corpo de Bombeiros informou que as buscas continuarão até a localização da última pessoa desaparecida, sem previsão de encerramento.
Fiscalização da obra
Segundo a Prefeitura, a construção começou em 2019 sem alvará e passou por fiscalizações sucessivas da Subprefeitura Penha. Houve aplicação de multas, incluindo uma de R$ 119 mil, e determinação de interdição. Um pedido de alvará apresentado naquele ano foi negado.
Em 2021, a Procuradoria-Geral do Município recorreu à Justiça após o descumprimento das determinações e obteve uma liminar para a paralisação imediata dos trabalhos. Um novo projeto foi apresentado em 2022, e outro alvará foi concedido em agosto de 2023, condicionado à demolição da estrutura anterior.
Uma vistoria realizada em fevereiro de 2024 gerou um laudo que atestava o cumprimento da demolição. A apuração preliminar da CGM, com checagens junto a moradores e imagens de satélite, indica que a exigência pode não ter sido cumprida. A servidora responsável pelo documento foi afastada por 30 dias. De acordo com o controlador-geral do Município, Daniel Falcão, a medida pretende evitar eventual interferência na investigação.
A Defesa Civil interditou três residências no mesmo terreno e mantém equipes na região. As causas do desabamento ainda não foram definidas. O Corpo de Bombeiros afirmou que não é possível atribuir o acidente apenas às chuvas da madrugada.
A Polícia Civil investiga o caso pelo 24º Distrito Policial e tenta localizar os responsáveis pela construtora. A New Home Construtora informou ter iniciado uma investigação interna e declarou que ainda não há elementos para atribuir o acidente exclusivamente à empresa. A companhia também disse que analisará a movimentação de terra em um terreno vizinho e que prestará apoio às famílias atingidas.
O prefeito Ricardo Nunes esteve no local e classificou a obra como irregular. Após o fim das buscas, o endereço deverá passar por perícia técnica.








