SALVADOR — Os riscos éticos do uso de inteligência artificial para ampliar a acessibilidade estão entre os temas do 70º Congresso Brasileiro de Oftalmologia, o CBO 2026. O evento é realizado em Salvador e tem programação até sábado (12). O Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) citou possíveis vieses em bases de dados usadas por sistemas de audiodescrição, sobretudo porque o público atendido já enfrenta vulnerabilidades.
Entre as tecnologias destacadas estão bengalas inteligentes, capazes de detectar obstáculos e orientar a locomoção por comandos de voz, além de sistemas que analisam imagens e textos para descrever ambientes. Para o CBO, o avanço desses recursos deve ser acompanhado pela ampliação do acesso aos serviços de reabilitação visual.
O conselho reforçou, porém, que a avaliação oftalmológica continua necessária. Cabe ao profissional analisar a funcionalidade visual, orientar o uso adequado das tecnologias assistivas e considerar a evolução e o prognóstico de cada condição ocular.
Serviços oferecidos pelo SUS
O CBO mapeou 95 centros especializados em reabilitação visual no país. Esses serviços são oferecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e atendem pessoas com baixa visão ou cegueira, com foco na recuperação da autonomia. A entidade informou que os centros ainda são pouco conhecidos, inclusive entre profissionais de saúde.
O levantamento foi conduzido pela oftalmologista Karina Eiko Yamashita. A distribuição regional identificada pelo conselho é de 39 unidades no Sudeste, 31 no Nordeste, 12 no Norte, 9 no Sul e 4 no Centro-Oeste.
De acordo com o CBO, o acesso depende da articulação entre os diferentes níveis de atenção do SUS, desde o posto de saúde até os centros de alta complexidade. A publicação da entidade serve como orientação para pacientes e profissionais que procuram atendimento especializado. O conselho também defendeu o acompanhamento próximo da evolução das tecnologias e a expansão do acesso aos CERs.








