BRASÍLIA — Saúde, transporte público, educação e moradia estiveram entre os principais temas do debate entre candidatos ao Governo do Distrito Federal, realizado nesta segunda-feira (21/9). José Roberto Arruda, Leandro Grass, Paula Belmonte, Kiko Caputo e Ricardo Cappelli participaram do encontro. A governadora e candidata à reeleição, Celina Leão, foi convidada, mas não compareceu. A assessoria informou que a ausência ocorreu por causa das atividades do cargo.
O debate teve quatro blocos, com perguntas entre os candidatos, questionamentos de jornalistas e participação de telespectadores. A ausência de Celina foi mencionada logo no início. Arruda criticou a decisão e relacionou a presença em debates à disposição para governar: “Acho que quem foge do debate não tá preparado para governar.”
Transporte e programas sociais
Leandro Grass associou uma possível proximidade com o governo federal à busca por investimentos para o Distrito Federal. Para o transporte, defendeu a criação de mais linhas e horários de ônibus, a expansão do metrô, a implantação de trens de superfície e do BRT Norte. Também propôs relicitar os contratos com as empresas de ônibus e ampliar a fiscalização do serviço.
Na área social, Grass afirmou que pretende manter e ampliar benefícios. Entre as propostas apresentadas está o chamado “cartão na mão”, para que as famílias escolham os alimentos que vão comprar. O candidato também criticou a situação da fome e da pobreza no Distrito Federal e responsabilizou a atual gestão.
Ricardo Cappelli concentrou o discurso nos serviços públicos e na rotina da população. Na saúde, prometeu zerar a fila de cirurgias e exames por meio da contratação de 5 mil médicos. Para a habitação, apresentou o programa “A casa é sua”, voltado à facilitação da regularização de imóveis.
Cappelli também propôs isenção de IPVA para motoristas de aplicativo, entregadores e motociclistas de até 180 cilindradas. Ao defender que as necessidades dos moradores devem prevalecer sobre disputas ideológicas, citou o relato de Dona Diva.
Educação, mulheres e combate à corrupção
Paula Belmonte afirmou ser uma candidata independente e sem compromissos com grupos políticos. A participação feminina na política foi um dos eixos de sua fala. Ela apresentou o vice, Everardo Alves Ribeiro, e prometeu criar um gabinete dedicado ao combate à corrupção.
Na educação, Belmonte defendeu escolas em tempo integral, mas disse que a proposta deveria incluir alimentação e novas disciplinas. “Educação integral não é só tempo na escola, é educação de qualidade. Ensinar matemática financeira, empreendedorismo, tecnologia.”
A candidata também criticou a falta de representatividade e o desamparo de jovens no Distrito Federal. Segundo ela, muitas meninas abandonam os estudos no ensino médio por falta de apoio, inclusive em situações de gravidez precoce. Ao final, voltou a defender um governo sem pressão e reafirmou que não tem compromissos com grupos políticos.
Kiko Caputo se apresentou como candidato de direita e criticou a chamada “velha política”. Uma de suas propostas é reduzir o número de secretarias de mais de 30 para menos de 20, além de acabar com cargos comissionados escolhidos por indicação política.
O candidato também defendeu a digitalização dos serviços públicos e citou o Detran como exemplo. “O seu posto do Detran vai estar no seu celular. Você vai acessá-lo onde você estiver.” Caputo usou ainda o caso envolvendo o BRB para criticar a atual gestão e encerrou sua participação defendendo um “choque de honestidade, gestão e transparência”.
Obras e propostas de Arruda
José Arruda recorreu à experiência de governos anteriores para apresentar propostas. Durante o debate, mencionou obras como a EPTG, hospitais e a expansão do metrô. Questionado sobre a elegibilidade, afirmou que está apto a disputar a eleição e que seu número estará na urna.
Na área social, prometeu retomar programas como o Pão e Leite e a cesta básica, além de criar o “Mãezinha Brasiliense”, voltado a mães. Para a habitação, propôs entregar 10 mil lotes urbanizados por ano e oferecer um cheque de R$25 mil para a construção.
Arruda também prometeu construir cinco novos hospitais e ampliar o metrô. Ao responder sobre transparência, defendeu a divulgação de informações sobre gastos públicos em plataformas digitais, permitindo que moradores e jornalistas acompanhem a aplicação dos recursos.







