MOSSORÓ — A nova edição do livro Abolição da Escravidão em Mossoró: Pioneira no Rio Grande do Norte, do professor e historiador Emanuel Pereira Braz, revisita o fim da escravidão na cidade e questiona interpretações consolidadas sobre o episódio. O lançamento será nesta terça (22), às 19h, no auditório da Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais (FAFIC), da UERN.
O dia 30 de setembro de 1883 é apresentado na obra como um marco para a história do Rio Grande do Norte e do Brasil. A libertação ocorreu cinco anos antes da Lei Áurea. O estudo, desenvolvido por Braz desde o final da década de 1990, ganhou uma versão revista e ampliada, com nova análise de relatos, memórias e discursos associados à data.
“Nosso foco está em apresentar uma leitura mais sistemática do fato, e ao mesmo tempo apresentar uma compreensão mais crítica do que esse ato traz de continuidade e mudanças na vida cotidiana das pessoas”, afirma o autor.
Pioneirismo no Rio Grande do Norte
Um dos pontos esclarecidos pelo livro é a posição de Mossoró no processo abolicionista. A cidade não foi a primeira do Brasil a abolir a escravidão, mas ocupou a quinta posição. No Rio Grande do Norte, porém, foi a primeira a realizar a libertação.
Segundo Emanuel Braz, a ideia de que Mossoró teria sido pioneira em todo o país criou uma interpretação equivocada, mantida na memória pública local por diferentes atos. A publicação também examina como as comemorações contribuíram para formar a consciência social sobre a liberdade.
A participação dos negros e dos escravizados é outro foco da revisão. O historiador afirma que essas pessoas ainda não aparecem como protagonistas nas narrativas sobre a abolição, inclusive em Mossoró. Entre as exceções está Rafael Mossoroense, citado como líder do Clube dos Espártacus.
Crispiniano Neto assina a apresentação da obra. Aryana Costa, professora doutora do curso de história da UERN, também participa das apresentações e destaca a importância da publicação para a cultura histórica do Rio Grande do Norte e do Brasil.
A edição atualizada inclui uma abordagem didática e relaciona a pesquisa ao debate sobre questões étnico-raciais. O lançamento integra as celebrações de setembro e propõe o estudo do passado como forma de preservar a memória e analisar criticamente o presente.







