Blumenau, Sexta-feira, 25 de setembro de 2026
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Brasil

Documento que livra Nikolas e Vorcaro de suspeita não foi produzido pela PF

A Polícia Federal negou a autoria do arquivo, e a OpenAI identificou sinais de conteúdo gerado ou alterado por inteligência artificial.

É falso documento em que PF diz não ver crime em mensagens de Nikolas e Vorcaro
Foto: Reprodução/OpenAI

Não é verdade que a Polícia Federal (PF) tenha afirmado, em relatório, não haver indícios de crime nas conversas do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. A corporação negou ter produzido o documento compartilhado nas redes sociais pelo parlamentar e por apoiadores. Além disso, a ferramenta de verificação da OpenAI apontou que o conteúdo foi gerado por modelos de inteligência artificial.

Publicações que reproduziam o documento falso somavam ao menos 500 mil visualizações no X nesta quinta-feira (3).

Documento atribuído à PF é falso

O arquivo atribuído à PF que afirma que as mensagens trocadas entre Nikolas Ferreira e Daniel Vorcaro não apresentariam qualquer indício de crime não é verdadeiro. A montagem sustenta que as conversas indicariam apenas “contato de natureza pessoal e profissional entre os interlocutores”.

A Polícia Federal afirmou nesta quinta-feira (3) que o documento é falso. A corporação destacou que não produziu nem a imagem nem o conteúdo da página que circula nas redes sociais.

Além disso, o arquivo foi enviado à ferramenta de verificação da OpenAI, que identificou a presença de SynthID. Trata-se de uma marca d’água digital inserida em conteúdos gerados ou editados por inteligência artificial e desenvolvida para continuar detectável mesmo depois de alterações no arquivo.

A OpenAI confirmou que a presença do SynthID indica algum tipo de manipulação com ferramentas de inteligência artificial.

O documento também contém inconsistências que podem estar relacionadas a erros na produção de conteúdo sintético, entre elas:

  • O emblema da PF mostrado na imagem é diferente do oficial. No original, as fitas têm contornos e dobras mais definidos, além de um desenho ligeiramente distinto do que aparece no documento falso;

  • Há também uma diferença no acento agudo da palavra “Polícia”: no emblema original, ele é substituído por um triângulo;

  • A numeração dos tópicos não segue uma sequência lógica, passando de 7 diretamente para 7.3, sem incluir 7.1 e 7.2;

  • O texto apresenta erros de português, como “contato salvado”, em vez de “contato salvo”;

  • As datas não são coerentes. O documento teria sido elaborado no mesmo dia da extração dos dados, no dia 18 — um dia depois da prisão de Daniel Vorcaro;

  • A montagem traz elementos e denominações que não costumam fazer parte de documentos oficiais da PF, como emojis e a expressão “Relatório de Análise de Dados”.

Nikolas foi mencionado nesta quinta-feira (3) em reportagens que divulgaram mensagens e áudios nos quais o deputado pede ajuda a Vorcaro para liberar “um ativo de minério” em março de 2025. Em outro trecho, o ex-dono do Master afirma que “bancou todos os voos” do deputado.

Em vídeo divulgado depois das reportagens, Nikolas negou ter proximidade com o ex-banqueiro e declarou que as mensagens não mostram nada relevante. O próprio deputado publicou o documento falso nos stories do Instagram.

A assessoria do deputado afirmou que ele não sabia que o documento era falso e que republicou um conteúdo inicialmente divulgado por outro portal.

A legislação brasileira prevê punições para a falsificação de documentos e de símbolos de órgãos públicos. O Código Penal determina pena de dois a seis anos de reclusão, além de multa, para quem falsificar total ou parcialmente um documento público. A mesma punição se aplica à falsificação ou ao uso indevido de marcas, logotipos, siglas e outros símbolos empregados para identificar órgãos da administração pública.

No entanto, a definição da responsabilidade pela montagem depende da avaliação das circunstâncias em que ela foi produzida e divulgada, além da identificação de quem efetivamente criou a imagem do documento falso.

Colaboraram Luiza Vezzá e Giovanna Massaro

O caminho da apuração

Primeiro, a imagem foi submetida à ferramenta de verificação da OpenAI, que confirmou a manipulação com uso de inteligência artificial. Depois, foi feita uma análise das inconsistências presentes na imagem do documento.

Na sequência, a Polícia Federal foi procurada e confirmou que a imagem não havia sido produzida pela corporação.

A assessoria de Nikolas Ferreira também foi contatada.

Texto produzido pela Redação Rota do Saber com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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