O El Niño pode estar associado a 451 mil mortes por calor extremo no mundo entre setembro de 2026 e fevereiro de 2027, segundo estimativa do Laboratório de Impacto Climático da Universidade de Chicago divulgada nesta quarta-feira (23). No Brasil, a projeção é de 13,3 mil óbitos, com margem de erro de 700 para mais ou para menos.
O período analisado coincide com a previsão de que o fenômeno climático atinja sua intensidade máxima. A estimativa não inclui as mortes do verão europeu que já vinham sendo relacionadas às altas temperaturas associadas ao El Niño.
O Brasil aparece como o quinto país mais impactado pelos danos à saúde causados pelo calor excessivo. A lista é liderada pela Nigéria, com 31,4 mil mortes estimadas, seguida por Indonésia, com 19,3 mil; Sudão, com 17,5 mil; e Índia, com 15, 8 mil.
A projeção global equivale a cerca de 65 vezes as 6.800 pessoas que se acredita terem morrido ou desaparecido na inundação repentina que atingiu Nepal e Tibete. Michael Greenstone, cofundador do laboratório e professor emérito da cátedra Milton Friedman de Economia da Universidade de Chicago, afirmou que o relatório permite identificar onde medidas emergenciais podem ser adotadas para reduzir as mortes nos próximos meses.
As estimativas foram elaboradas a partir de pesquisas do laboratório sobre a relação entre temperatura e excesso de mortalidade, considerando mortes acima da média registrada entre 1996 a 2025. O estudo levou em conta diferenças no clima local, na vulnerabilidade e na capacidade de adaptação dos países em 24.378 regiões do mundo. Essas relações foram aplicadas a previsões de temperatura de longo prazo. Os autores informaram que os detalhes do método serão publicados em breve em um periódico com revisão por pares.
Entre as regiões analisadas, 49% das mortes previstas estão concentradas em 50 países, que reúnem 220,5 mil óbitos. A África responderia por 130,2 mil mortes, ou 59% desse total; a Ásia, por 62,2 mil, ou 28%; e a América Latina, por 24,2 mil, ou 11%.
Entre os países desenvolvidos, Estados Unidos e Itália aparecem entre os mais impactados, com 3.500 e 780 mortes previstas, respectivamente. Juntos, representam menos de 2% do total.
O relatório considera apenas as possíveis vítimas do calor excessivo. O El Niño também pode envolver secas, incêndios florestais e inundações. A Organização Meteorológica Mundial e a agência climática dos Estados Unidos estimam que o fenômeno possa se tornar o mais intenso já registrado.
Entre as medidas de adaptação recomendadas estão sistemas de alerta precoce, mapeamento e visitas domiciliares a populações vulneráveis, centros de resfriamento e proteção para trabalhadores ao ar livre. Tamma Carleton, coautora do relatório e chefe de pesquisa do Climate Impact Lab, afirmou: “Reforçar a resposta emergencial e direcionar melhor nossos esforços pode salvar muitas vidas este ano.”







