GOIATUBA — Lucas Costa, de 33 anos, percorre cerca de 130 quilômetros todas as noites entre Goiatuba e Morrinhos para frequentar o curso de História da Universidade Estadual de Goiás (UEG). Desde 2025, ele utiliza uma motocicleta para manter a graduação, que começou aos 30 anos.
A decisão de voltar a estudar ocorreu em 2022, depois que Lucas deixou um emprego no qual estava havia cerca de três anos. Antes de ingressar no curso atual, ele passou por Fisioterapia, Educação Física, Arquitetura e Engenharia Civil. Também trabalhou como servente de pedreiro, garçom, lavador de carros e no atendimento ao cliente.
No fim de 2022, foi aprovado no vestibular da UEG. No ano seguinte, iniciou História e passou em uma seleção da prefeitura para atuar como apoio educacional. A experiência em uma escola fez com que se interessasse pela área da educação. Atualmente, trabalha com estudantes do 5º ano e com turmas do 2º e 3º anos.
Mudança na rotina de transporte
Morador de Goiatuba, Lucas dependia de uma linha particular compartilhada com estudantes do Instituto Federal (IF). Em 2024, uma greve interrompeu o serviço, e ele perdeu um período inteiro da graduação. Depois, conseguiu recuperar parte das disciplinas, mas o curso precisou ser prolongado.
No ano seguinte, o responsável pela linha deixou de transportar os estudantes da UEG após reclamações sobre os horários. Lucas procurou uma alternativa na Prefeitura de Goiatuba e passou a receber o Bolsa Transporte Universitário. O benefício, porém, não resolveu todo o problema: com menos passageiros e outra linha durante o dia, o trajeto noturno seria mantido apenas até o fim de março.
Sem transporte, ele ficou mais de um mês afastado da faculdade. Um amigo emprestou uma motocicleta, permitindo o retorno às aulas. No primeiro dia, Lucas tinha uma prova e foi aprovado.
Para reorganizar as despesas, voltou a trabalhar em obras, tornou-se bolsista da UEG e assumiu atividades nos fins de semana, incluindo eventos e a venda de crepes. Em julho, comprou a própria moto, uma versão 2016 encontrada em sua cidade. Também adquiriu capacete, jaqueta e outros equipamentos para pilotar.
Planos depois da graduação
A estimativa é que Lucas já tenha percorrido entre 32 mil e 33 mil quilômetros desde o início das viagens noturnas. No 8º período de História, ele também atribui à experiência como bolsista a decisão de seguir na educação.
O tempo sem transporte causou a perda de disciplinas e acrescentou seis meses à graduação, cuja conclusão estava prevista para este ano. Depois de formado, pretende disputar uma vaga de professor por concurso público e continuar a formação com mestrado e doutorado.
Lucas também deseja manter a produção artística, especialmente o desenho. Para ele, a convivência com colegas de 17, 19 e 20 anos e com estudantes com mais de 50 anos reforçou a percepção de que não existe uma idade única para estudar ou mudar de profissão.







