O financiamento de veículos cresceu no primeiro semestre de 2026, mas a aprovação de novos contratos continua mais restrita. Levantamento da B3 aponta que 3,778 milhões de veículos novos e usados foram financiados no período, alta de 10,9% em relação ao mesmo intervalo de 2025. O resultado inclui automóveis, motocicletas e veículos pesados.
A redução da Selic pode ajudar a diminuir, ao longo do tempo, o custo de captação dos bancos e criar condições para taxas mais baixas aos consumidores. Ainda assim, o efeito sobre as vendas não deve ser imediato, porque o crédito permanece caro para quem depende de financiamento e as instituições financeiras analisam os pedidos com maior seletividade diante do endividamento da população.
Para Glenio Júnior, vice-presidente da Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores (Fenauto), a queda dos juros não deve provocar uma alteração significativa no curto prazo. Mesmo com essa limitação, uma melhora nas condições pode elevar o número de consultas, simulações e visitas às lojas.
Seminovos mantêm avanço
O mercado de seminovos e usados segue em trajetória positiva, apesar de ser mais sensível às taxas de juros do que o segmento de veículos zero quilômetro. Dados da Fenauto mostram que 12,53 milhões de veículos foram comercializados entre janeiro e agosto de 2026. O volume supera em 6,4% as 11,78 milhões de unidades registradas no mesmo período de 2025. Pela média de dias úteis, o crescimento foi de 7,7%.
Na avaliação de Cássio Pagliarini, consultor da Bright Consulting, o comportamento dos consumidores também pode mudar com a perspectiva de juros menores. Ele afirma que pequenas melhorias nas condições financeiras, observadas em conjunto, podem ampliar o número de decisões favoráveis de compra.
A continuidade dos cortes da Selic será determinante para um impacto mais amplo. Se a taxa seguir em queda, bancos e financeiras poderão ter mais espaço para reduzir juros, ampliar prazos e oferecer campanhas subsidiadas por montadoras e concessionárias.
Produção e emplacamentos
O mercado de veículos novos também chega a esse período com crescimento. Os emplacamentos somaram 1,975 milhão de unidades entre janeiro e agosto de 2026, avanço de 18,4% sobre o mesmo período do ano anterior. Em agosto, foram licenciados 275,1 mil veículos, conforme dados da Anfavea.
A produção das fábricas brasileiras alcançou 271,2 mil unidades em agosto, alta de 9,4% na comparação com o mesmo mês de 2025. No acumulado do ano, o total se aproximou de 1,9 milhão de veículos, com crescimento de 8,5%.
Esse desempenho inclui vendas diretas para locadoras, descontos concedidos pelas montadoras e maior participação de veículos importados. A cadeia automotiva também envolve setores como siderurgia, mineração, petroquímica, componentes, tecnologia, logística, seguros, manutenção, distribuição e serviços financeiros. Historicamente, a indústria representa cerca de 20% do PIB da indústria de transformação e aproximadamente 4% do PIB brasileiro, considerando veículos e fornecedores.








