Blumenau, Sexta-feira, 25 de setembro de 2026
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Flávio Bolsonaro foi confrontado com fatos em ao menos seis momentos de entrevista

Candidato foi questionado sobre golpe de Estado, urnas eletrônicas, clima, financiamento de filme, tarifaço e Adriano da Nóbrega.

Jornal Nacional: Flávio Bolsonaro mentiu e foi “corrigido” por Tralli e Renata Vasconcellos ao menos 6 vezes
Foto: Manoella Mello/Divulgação TV Globo

Durante entrevista, Flávio Bolsonaro apresentou informações falsas ao ser confrontado com fatos relacionados à tentativa de golpe de Estado, às urnas eletrônicas, às mudanças climáticas, ao financiamento de um filme, ao tarifaço e a Adriano da Nóbrega. Em uma das situações, admitiu ter “falado errado”.

Flávio Bolsonaro (PL) participou de uma entrevista na noite de sexta-feira (28) para expor sua versão sobre os principais assuntos ligados à candidatura à Presidência. Ao longo de 40 minutos de conversa com César Tralli e Renata Vasconcellos, porém, o candidato teve de responder a fatos que contrariavam declarações feitas por ele em ao menos seis situações.

A análise da íntegra da entrevista, feita com base nos vídeos e na transcrição, identificou ao menos seis momentos em que Tralli ou Renata corrigiram, contestaram ou apresentaram informações que contrariavam diretamente afirmações de Flávio.

Foram consideradas como “correção” não apenas as ocasiões em que os entrevistadores afirmaram literalmente que algo não era verdade, mas também os momentos em que apresentaram documentos, dados, informações oficiais ou evidências científicas contrárias a uma declaração factual do candidato.

Os momentos de confronto na entrevista

1. A tentativa de golpe não foi uma “farsa”

Um dos episódios mais contundentes ocorreu quando Flávio tentou desqualificar as investigações sobre a tentativa de golpe de Estado durante o governo de Jair Bolsonaro.

O candidato classificou o processo como uma “grande farsa” e disse que teria sido criada uma “montagem” para condenar o pai e outras pessoas envolvidas.

Tralli respondeu apresentando os elementos reunidos pela investigação da Polícia Federal. Entre eles estava o documento encontrado na casa do coronel Mauro Cid, com detalhes de um plano para assassinar o presidente Lula, o vice Geraldo Alckmin e o ministro Alexandre de Moraes.

Não se tratava, portanto, apenas de uma divergência entre posições políticas. Havia um documento apreendido pela PF e incluído na investigação, além de depoimentos e outros elementos usados para fundamentar as condenações.

Mesmo diante das provas aceitas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio manteve a versão de que tudo seria uma armação. O tribunal condenou seu pai, Jair Bolsonaro (PL), a 27 anos e 3 meses de prisão por liderar a organização criminosa que tentou promover um golpe de Estado.

2. “A empresa venezuelana não fabricou as urnas”: o próprio Flávio admite a mentira

Esse foi o caso mais explícito da entrevista. Renata lembrou que Flávio havia dito anteriormente que as urnas eletrônicas brasileiras eram fabricadas por uma empresa venezuelana. A informação já havia sido negada pelo Tribunal Superior Eleitoral.

A jornalista apresentou a declaração anterior ao candidato e perguntou sobre o conteúdo. Flávio recuou: “Falei errado, ela não fabricou as urnas”.

A admissão tem importância porque não depende da interpretação de quem analisou a resposta. O próprio candidato reconheceu que havia mentido.

3. Aquecimento global: “saneamento básico” para disfarçar negacionismo

Outro momento marcante ocorreu quando Renata perguntou a Flávio qual era sua posição sobre as mudanças climáticas. A questão era saber por que o tema não aparecia com clareza em seu plano de governo, diante das evidências científicas relacionadas ao aquecimento global.

Em vez de responder diretamente se reconhecia a existência do aquecimento global e a participação humana nesse processo, Flávio levou a resposta para temas como saneamento básico, esgoto, lixões e eventos climáticos extremos. Renata voltou ao assunto:

“Então, deixa eu só entender, então, o senhor acha que não tem aquecimento global? Não existe?”

Flávio mencionou os ciclos climáticos, e a jornalista voltou a questioná-lo: “Isso não é negar as evidências científicas, candidato?”

Nesse caso, não se tratava de duas opiniões equivalentes. A existência do aquecimento global e a influência humana sobre o clima são questões científicas apoiadas por evidências acumuladas.

4. A carta a Trump e o tarifaço

O quarto episódio envolveu o tarifaço aplicado pelo governo de Donald Trump ao Brasil. Flávio tentou apresentar sua atuação nos Estados Unidos como uma medida destinada a cancelar as tarifas e proteger empresas brasileiras.

Renata, no entanto, utilizou o documento apresentado pelo próprio candidato para apontar uma diferença central. A carta não solicitava o encerramento da investigação nem o cancelamento imediato da medida. O pedido era para adiar sua implementação.

A jornalista foi direta: “Na carta (…) não se pede (…) que se encerre a investigação. Pede-se adiar a implementação da medida”. Também afirmou que a investigação citada no documento já havia sido concluída.

Flávio tentou manter sua interpretação, mas o conteúdo do documento apresentado por Renata contrariava a forma como ele havia descrito sua atuação.

5. A prestação de contas do filme “Dark Horse”

O primeiro grande bloco da entrevista tratou da relação de Flávio com Daniel Vorcaro e do financiamento do filme sobre Jair Bolsonaro.

Flávio afirmou que a prestação de contas do projeto havia sido realizada e que as informações estavam disponíveis publicamente.

Tralli apresentou um contraponto: o perito contratado para examinar os dados não teve acesso ao fundo americano e não conseguiu esclarecer completamente a origem e o destino dos recursos.

Assim, a questão não era apenas saber se algum documento havia sido divulgado. Era necessário verificar se o material disponível bastava para esclarecer a origem e o percurso dos R$ 61 milhões relacionados ao financiamento.

A discussão surgiu no momento em que Flávio tentava encerrar o assunto como se a prestação de contas já estivesse definitivamente esclarecida. O candidato também se recusou a apresentar o suposto “contrato” com Daniel Vorcaro, que havia prometido fornecer no dia 19 de maio.

6. Adriano da Nóbrega já era alvo de acusações quando foi homenageado

O sexto caso envolve Adriano da Nóbrega, apontado como líder do Escritório do Crime, braço de extermínio da milícia de Rio das Pedras. Ele foi morto em 2020.

Questionado sobre a homenagem concedida a Adriano, Flávio afirmou que, naquela época, ele era considerado um policial de destaque e que “não tinha feito absolutamente nada de errado”.

Renata apresentou a informação de que Adriano já estava preso por homicídio e era alvo de acusações graves naquele período.

Esse ponto é relevante porque a defesa de Flávio depende da ideia de que as acusações contra Adriano teriam surgido depois da homenagem. A intervenção da jornalista contestou essa sequência dos acontecimentos. Renata também lembrou a contratação de parentes do miliciano para cargos comissionados no gabinete de Flávio Bolsonaro, quando ele era deputado estadual no Rio de Janeiro.

Texto produzido pela Redação Rota do Saber com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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