A operação Statewide Shield, realizada na Flórida, nos Estados Unidos, terminou com 163 crianças desaparecidas localizadas. A Polícia Federal informou na quarta-feira, 9, que nenhuma delas é brasileira e que Ágatha Isabelly e Allan Michael não estão entre os resgatados.
Os irmãos desapareceram em 4 de janeiro de 2026, na comunidade quilombola São Sebastião dos Pretos, na zona rural de Bacabal, no Maranhão. Ágatha tem 6 anos e Allan, 4. Eles estavam com o primo Wanderson Kauã, de 8 anos, encontrado vivo três dias depois, em 7 de janeiro.
Material genético e cooperação internacional
A mãe das crianças, Clarisse Cardoso, foi à sede da Superintendência Regional da Polícia Federal em São Luís na quarta-feira, acompanhada da advogada Nathaly Moraes. Na ocasião, a PF recolheu material genético de Clarisse para um possível confronto de DNA caso crianças com características compatíveis sejam encontradas.
O procedimento continuará disponível mesmo depois da confirmação de que Ágatha e Allan não estavam entre os menores localizados nos Estados Unidos. Nathaly informou que a amostra poderá ser comparada com materiais coletados em outros países.
O Núcleo de Cooperação Internacional da PF entrou em contato com a advogada na terça-feira, 8, e apresentou recursos da Interpol que podem apoiar a investigação e uma eventual repatriação. A organização também ofereceu ferramentas para a localização dos irmãos. A previsão é que os nomes sejam inseridos na lista amarela, usada para alertas internacionais sobre pessoas desaparecidas.
Dificuldades na identificação
Em entrevista coletiva na tarde de quarta-feira, Nathaly afirmou que os irmãos nunca tiveram documentos de identificação. A ausência desses registros dificultou o compartilhamento de dados em bases oficiais e a comparação com crianças encontradas.
A advogada também disse que mantém contato com organizações não governamentais internacionais e que as buscas continuarão até uma definição sobre o paradeiro dos irmãos.
A Prefeitura de Bacabal declarou que segue empenhada nas buscas e na investigação. O município também informou que mantém acompanhamento social e psicológico para Clarisse e os familiares, além de assistência aos moradores da comunidade de São Sebastião dos Pretos, incluindo crianças e adolescentes.








