SÃO PAULO — Nenhum município brasileiro atingiu condições consideradas plenas para a vida das mulheres, segundo o Índice Municipal de Gênero (IMG) 2026, desenvolvido pela consultoria socioambiental Tewá 225 e lançado na terça-feira (22). O levantamento analisou dados públicos dos 5.570 municípios do país, incluindo informações do Censo 2022 e da Relação Anual de Informações Sociais (Rais).
O índice considera sete dimensões: saúde, educação, trabalho e renda, participação política, segurança, proteção social, infraestrutura e mobilidade. Os temas são distribuídos em 17 indicadores, pontuados de 0 a 100. Quanto maior a nota, mais favoráveis são as condições avaliadas.
Desempenho dos municípios
A nota de corte para um desempenho alto ou muito alto é de 70 pontos. Nenhum município ultrapassou esse resultado. Nove em cada dez cidades ficaram entre 40 e 60 pontos.
Águas de São Pedro, no interior de São Paulo, teve a maior pontuação, com 67,6. Uiramutã, em Roraima, apresentou o menor resultado, com 28,14 pontos. As cidades com melhores notas estão concentradas nas regiões Sul e Sudeste: cinco ficam em São Paulo, quatro no Rio Grande do Sul e uma em Santa Catarina. Norte e Centro-Oeste concentram os resultados mais baixos.
Entre as capitais, Curitiba liderou, com 65,08 pontos, seguida por Florianópolis, com 64,11; Belo Horizonte, com 61,18; São Paulo, com 60,82; e Porto Alegre, com 60,04. Boa Vista teve a menor nota entre as capitais listadas, com 50,29 pontos. Na sequência aparecem Manaus, com 50,81; Porto Velho, com 51,41; Macapá, com 52,41; e Maceió, com 53,08.
A média nacional do IMG foi de 50,60 pontos. Em 2024, o Brasil alcançou, pela primeira vez, a faixa de muito alto desenvolvimento humano, com IDHM de 80,5 pontos. A diretora-executiva da Tewá 225, Luciana Sonck, afirmou que o índice busca observar as condições concretas de vida e o acesso das mulheres a serviços e direitos.
Participação política e saúde
Em 87,18% dos municípios, pelo menos uma das sete dimensões teve nota inferior a 30 pontos. Participação política e acesso à saúde foram os desafios mais frequentes, com médias nacionais de 29,59 e 30,42 pontos, respectivamente, e impacto em nove de cada dez cidades.
O levantamento indica que 68,70% dos municípios não têm Conselho Municipal dos Direitos da Mulher. Além disso, 726 cidades não elegeram vereadora e 526 reúnem as duas ausências. A média da participação política foi de 38,17 pontos no Nordeste e de 22,14 no Sudeste.
Na saúde, a região Sul teve a maior média, com 37,29 pontos, enquanto a Norte registrou 20,51. Os resultados mais baixos também estão associados a desigualdades raciais e territoriais, com maior impacto sobre mulheres negras e indígenas.
Registros de violência
Os pesquisadores recomendam cautela na análise dos dados de segurança pública, porque há municípios que não registram ou documentam incorretamente casos de estupro, feminicídio e violência contra a mulher.
A segurança foi a dimensão com maior média nacional, de 91,88 pontos, mas também apresentou falta de dados. Em 27% dos municípios, o equivalente a 1.480 cidades, não houve registro de feminicídio nos últimos cinco anos. Também não foram registrados casos de estupro em 591 municípios e de violência doméstica em 84.








