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Instituto ligado à produtora de “Dark Horse” teve tesoureiro que nega participação

Documentos registram o eletricista Jacio de Medeiros Dantas como tesoureiro do ICB, mas ele afirma que apenas emprestou o nome ao cargo.

O Instituto Conhecer Brasil (ICB), comandado por Karina Ferreira da Gama, manteve por seis anos um tesoureiro que nega ter participado da organização. Atas do instituto registram o eletricista Jacio de Medeiros Dantas como tesoureiro-geral em gestões entre 2014 e 2021, além de secretário de assembleias. Ele afirma que apenas autorizou o uso de seu nome e que nunca exerceu as funções previstas para o cargo.

O caso aparece em documentos que também apresentam divergências entre assinaturas atribuídas a integrantes da direção do ICB. As rubricas mudam entre atas da entidade e não coincidem, em alguns casos, com registros oficiais de outras situações. As diferenças podem indicar fraude documental.

Dantas, de 64 anos, disse que recebeu o pedido da mãe de Karina para “ajudar” a empresária. Ele afirmou que trabalhava como autônomo na área elétrica e não tinha tempo para participar de reuniões ou cuidar da tesouraria. “Eu coloquei meu nome lá porque eu conhecia ela”, declarou.

Registros do instituto

O nome de Dantas consta na ata de 29 de setembro de 2014, quando Karina foi eleita presidente do ICB, e em documentos relacionados a uma reforma do estatuto realizada em 2015. Também aparece em uma ata de 2 de outubro de 2017 e em uma carta de renúncia ao cargo, de janeiro de 2020.

Apesar dos registros, o eletricista afirmou que nunca participou de assembleias ou reuniões. Seu nome aparece nas listas de presença desses encontros, mas as assinaturas atribuídas a ele são diferentes entre si. Depois de receber imagens de duas rubricas, Dantas disse que nenhuma era sua.

A comparação com assinaturas presentes em um processo judicial do qual ele participa apontou semelhanças entre seus registros oficiais e as rubricas de setembro de 2014 e da reforma estatutária de 2015. Já as assinaturas da assembleia de 2017 e da renúncia de 2020 são distintas.

Outros dois integrantes também aparecem com assinaturas divergentes. Rafael Tadeu da Silva Santanna é identificado como secretário-geral do ICB entre 2014 e 2017. A rubrica atribuída a ele na ata de 2017 não coincide com a de 2014 nem com duas assinaturas localizadas em um processo judicial.

Karina Pereira Penha teria assumido a secretaria-geral depois da saída de Santanna. A assinatura dela na ata de 2017 é diferente da registrada em uma procuração assinada em janeiro de 2023 para representação por um advogado.

Investigações e contratos

O período em que Dantas aparece como tesoureiro coincide com os anos analisados em uma auditoria da Controladoria-Geral da União (CGU) sobre recursos recebidos pelo ICB do Conselho Nacional do Serviço Social da Indústria (CN-Sesi). De R$ 11 milhões recebidos pelo instituto, ao menos R$ 2,4 milhões foram apontados como superfaturados pela CGU. A análise envolveu sete estados e o Distrito Federal.

O ICB também é investigado pela Polícia Federal por suspeita de desvio de recursos de emendas parlamentares. Entre os repasses está um total de R$ 2 milhões enviado pelo deputado federal Mario Frias, do PL, que é roteirista e produtor-executivo de “Dark Horse”.

Em 2024, a organização firmou contrato de R$ 108 milhões com a Prefeitura de São Paulo, durante a gestão de Ricardo Nunes, do MDB, para instalar Wi-Fi público na capital. O acordo é investigado pela Polícia Civil de São Paulo por suspeita de irregularidades.

Desde 2014, 12 pessoas ocuparam funções como conselheiros fiscais, secretários e tesoureiros. Entre elas está Regina Ferreira da Gama de Nazaré, mãe de Karina, que foi vice-presidente do ICB entre setembro de 2014 e setembro de 2017. Os integrantes citados nos documentos vivem em diferentes locais do Brasil, com núcleos no Distrito Federal, em São Paulo e em Uberlândia, em Minas Gerais.

O ICB e Karina Ferreira da Gama foram procurados, mas não responderam. Karina Pereira Penha confirmou que trabalhou na organização, sem comentar as divergências nas assinaturas ou o período em que ocupou o cargo. Santanna afirmou ter ficado surpreso com as diferenças nos documentos e disse não se lembrar de ter assinado atas ou outros registros. Depois de receber cópias das assinaturas, não respondeu novamente.

Texto produzido pela Redação Rota do Saber com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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