VITÓRIA — Acidentes envolvendo bicicletas deixaram 306 pessoas internadas no Espírito Santo entre janeiro e junho deste ano, conforme dados da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa). Entre os pacientes, 49 tinham de 5 a 14 anos e 52 estavam na faixa de 15 a 24 anos.
Os registros não diferenciam bicicletas convencionais de elétricas. No entanto, os totais anuais mostram crescimento: foram 378 internações em 2024 e 588 em 2025.
O coordenador da Ortopedia do Hospital Antônio Bezerra de Faria, Igor Vasconcelos, afirma que a elevação dos atendimentos já aparece na rotina hospitalar. Para ele, as bicicletas elétricas exigem atenção especial por causa da velocidade e dos possíveis impactos. “A bike elétrica se comporta como uma moto pequena no trânsito em relação à velocidade e gravidade das lesões”.
As ocorrências podem provocar contusões, escoriações e fraturas. De acordo com o médico, os quadros mais graves são associados a acidentes em alta velocidade ou que envolvem veículos maiores. Vasconcelos também relaciona a segurança ao preparo de quem conduz o equipamento: “Antes de entregar a velocidade, os pais precisam entregar também a maturidade”.
Experiência no trânsito
Jair Simmer Filho, presidente da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) Regional Espírito Santo, disse que os acidentes com bicicletas elétricas preocupam a área de ortopedia. Ele citou casos graves entre pessoas jovens e atropelamentos de pessoas de mais idade.
Na avaliação do ortopedista, parte dos adolescentes tem pouca experiência no trânsito. A combinação entre essa falta de prática e o uso de bicicletas com acelerador aumenta a vulnerabilidade durante a circulação.
Acidente durante travessia
O ortopedista especialista em joelho Vladimir de Almeida também acompanhou um acidente dentro da própria família. Há cerca de dois meses, o filho dele, Arthur Hegner de Almeida, de 16 anos, foi atingido por outra bicicleta elétrica enquanto aguardava para atravessar a avenida Rio Branco, na Praia do Canto, em Vitória.
O impacto causou lesões nos ligamentos e no menisco do joelho. O adolescente, que usava bicicleta elétrica havia cerca de um ano e meio para ir à escola, passou por cirurgia e segue em fisioterapia e treinamento muscular.
Antes do acidente, ele praticava futebol. A previsão é de que o retorno ao esporte ocorra após oito meses. Vladimir de Almeida relatou que o filho foi atingido por trás depois que outra estudante se aproximou em velocidade maior. O adolescente caiu com o joelho no chão.
O médico afirmou que as bicicletas elétricas podem ser meios de transporte, mas defendeu reforço na educação para o trânsito. Também avaliou que as ciclovias têm espaço limitado para a demanda e que o veículo ainda enfrenta dificuldades para se adaptar aos diferentes locais de circulação.








