Luciana Almeida, ex-assessora de Carlos Bolsonaro na Câmara de Vereadores do Rio, trocou mensagens com o coronel reformado Guilherme Hudson para marcar uma reunião em um escritório de advocacia. Hudson e familiares eram investigados por peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa no gabinete do ex-vereador.
A conversa ocorreu uma semana antes de Guilherme de Siqueira Hudson, Ananda Hudson e Monique Hudson prestarem depoimento ao Ministério Público do Rio de Janeiro. Os três, que haviam sido nomeados como assessores de Carlos Bolsonaro, negaram aos promotores que tivessem recebido salários sem trabalhar.
As mensagens indicam que Luciana e o coronel trataram de um encontro no escritório do advogado Jefferson Gomes. O contato ocorreu em 4 de novembro de 2019, quando ela enviou o endereço do local e informou que estaria lá. No dia seguinte, telefonou para Hudson, que não atendeu. Depois, ele encaminhou a ela cópias das três requisições do Ministério Público para os depoimentos.
Gomes confirmou ter recebido Guilherme Hudson, Ananda Hudson e Monique Hudson para prestar serviços de advocacia durante a investigação. O advogado afirmou que não poderia fornecer mais informações por causa do sigilo entre cliente e advogado e disse desconhecer as mensagens. Também declarou que nunca esteve com Guilherme Hudson pai.
Investigação sobre o gabinete
O Ministério Público do Rio de Janeiro abriu, em julho de 2019, uma investigação sobre Carlos Bolsonaro para apurar suspeitas de desvio de dinheiro público por meio da devolução de parte dos salários de assessores, prática conhecida como rachadinha.
Entre os nomes investigados estavam Guilherme de Siqueira Hudson, Ananda Hudson e Monique Hudson. Guilherme foi chefe de gabinete de Carlos Bolsonaro entre abril de 2008 e janeiro de 2018. Durante esse período, recebeu R$ 2,3 milhões em valores atualizados e, segundo os dados reunidos na investigação, mantinha residência em Resende, onde tinha um escritório de advocacia.
Ananda Hudson ocupou cargo no gabinete de 1º de março de 2009 até agosto de 2010, período em que cursava Letras em Resende. Monique permaneceu nomeada até dezembro de 2014 e também estudou Letras na Associação Educacional Dom Bosco, em Resende.
Guilherme dos Santos Hudson, pai de Guilherme de Siqueira, foi investigado em um caso relacionado ao gabinete de Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio. O processo foi arquivado depois que o Superior Tribunal de Justiça anulou as quebras de sigilo.
A apuração sobre Carlos Bolsonaro foi retomada em fevereiro deste ano, depois de permanecer quase dois anos parada, e continua em sigilo no Ministério Público do Rio de Janeiro. Em agosto de 2024, o promotor Alexandre Murilo Graça denunciou o chefe de gabinete de Carlos Bolsonaro e outros seis assessores, que se tornaram réus em junho deste ano.
Em julho deste ano, o Ministério Público pediu, em uma ação cível, a devolução de R$ 1,9 milhão aos cofres públicos por sete assessores de Carlos Bolsonaro. O órgão afirmou que o valor teria sido desviado por meio da rachadinha no gabinete do ex-vereador.
Luciana Almeida também apareceu em investigações da Polícia Federal relacionadas a um pedido de informações feito a Alexandre Ramagem sobre inquéritos envolvendo Jair Bolsonaro e os filhos no fim de 2022. Ela deixou a chefia da Agência Brasileira de Inteligência antes desse episódio.







