Gelson Merísio defendeu a convocação de policiais da reserva para reforçar a segurança pública em Santa Catarina e a revisão dos incentivos fiscais conforme as características econômicas de cada região. As propostas foram apresentadas durante uma entrevista de 30 minutos sobre segurança, infraestrutura, economia, governabilidade, violência contra a mulher e mudanças climáticas.
Na área de segurança, Merísio afirmou que o estado tem 9 mil militares e 3 mil policiais civis e propôs dobrar esses números. A estratégia, segundo ele, combinaria concursos públicos com o retorno de policiais aposentados ao patrulhamento ostensivo. O candidato estimou que pelo menos 7 mil policiais da reserva poderiam ser convocados.
A medida também seria usada para ampliar o atendimento a mulheres vítimas de violência. Merísio defendeu que policiais civis aposentadas fossem chamadas para atuar no acolhimento em diferentes regiões do estado e propôs o uso de tornozeleiras eletrônicas por agressores a partir da decretação de medidas protetivas.
Incentivos fiscais por região
Na economia, Merísio disse que os incentivos fiscais precisam ser reavaliados e integrados a um projeto de desenvolvimento estadual. Ele citou as áreas litorâneas, a região de Canoinhas, a Serra e o extremo Oeste como locais que deveriam receber tratamento tributário diferenciado.
A avaliação apresentada pelo candidato é que a concentração de atividades no litoral reduz a atratividade de outras áreas. Para ele, a política tributária deve considerar o potencial econômico de cada região e estimular a instalação ou a expansão de empresas fora do corredor da BR 101.
Infraestrutura e relação com o governo federal
Merísio defendeu a retomada de parcerias com o governo federal, o BNDES e instrumentos de financiamento para obras de infraestrutura. Ao abordar as concessões de rodovias federais e estaduais, afirmou que mudanças políticas fizeram os processos voltarem ao início e comparou a situação de Santa Catarina com a do Paraná.
O candidato declarou que o projeto de concessões previa R$ 24 bilhões de investimento durante o governo de Jair Bolsonaro. Também citou R$ 8 bilhões investidos pelo Paraná em rodovias estaduais e federais.
Na avaliação de Merísio, Santa Catarina não duplicou 1 quilômetro de rodovia em 8 anos. Ele comparou a receita estadual de 2015, de R$ 22,5 bilhões, com a projeção corrigida pelo IPCA para 2025, de R$ 36 bilhões, e afirmou que a receita de 2025 chegou a R$ 56 bilhões. A partir desses valores, calculou uma diferença de R$ 20 bilhões e mencionou R$ 80 bilhões ao considerar 4 anos.
Posição política e governabilidade
Merísio afirmou que apoiou Jair Bolsonaro em 2018 por respeito à posição de seus eleitores, mas disse ter rompido com esse apoio após a eleição. Também declarou que passou a admirar e a ser amigo do presidente Lula.
Sobre a relação entre o governo estadual, o governo federal e a Assembleia Legislativa, defendeu diálogo institucional independentemente de posições partidárias ou ideológicas. Ele criticou as emendas impositivas e afirmou que cada parlamentar recebe atualmente R$ 20 milhões. Segundo o candidato, isso representa R$ 800 milhões por ano e R$ 3,2 bilhões em 4 anos.
Violência contra a mulher e meio ambiente
Além da convocação de policiais da reserva, Merísio propôs criar uma porta de entrada para mulheres vítimas de violência nos postos de saúde, com psicólogo e assistente social. Também defendeu delegacias 24 horas com efetivo suficiente para oferecer atendimento.
Sobre o meio ambiente e os impactos do El Niño, afirmou que o Instituto de Meio Ambiente do Estado precisa de equipes preparadas, prazos definidos e maior rigor no licenciamento. Ele também defendeu investimentos permanentes em prevenção, incluindo projetos para barragens e participação das comunidades.
A entrevista integrou uma série de sabatinas com candidatos ao governo catarinense, realizada de 14 a 19. A ordem dos participantes seguiu a posição em uma pesquisa Quaest encomendada pela NSC e divulgada em 24 de agosto. O primeiro turno das eleições de 2026 está marcado para 4 de outubro, e o segundo turno, se necessário, para 25 de outubro.







