ANCHIETA — A operação que levou à prisão de Alean de Almeida Silva foi batizada de Modo Avião por fazer referência à interrupção da comunicação do investigado com integrantes de uma organização criminosa na Bahia. O homem, de 44 anos, foi localizado na quinta-feira (10), na Praia de Ubu, em Anchieta.
Condenado a 83 anos e 3 meses de prisão por um triplo homicídio, Alean era procurado havia mais de quatro anos. A Polícia Civil do Espírito Santo encontrou o foragido em uma casa onde ele vivia escondido com a família. A ação teve participação da Delegacia de Polícia de Piúma, da Força Tática da 10ª Companhia Independente da Polícia Militar e da Polícia Civil da Bahia.
Investigação e captura
O delegado Rodrigo Toscano, titular da Delegacia de Polícia de Piúma, afirmou que a equipe recebeu informações sobre a presença de Alean no Espírito Santo. Após identificar o endereço em Anchieta, os policiais repassaram os dados à Polícia Civil da Bahia, que solicitou judicialmente uma busca no imóvel.
“Nós identificamos que o homem estava morando em Anchieta, no litoral Sul do Espírito Santo”, disse Toscano. As equipes cumpriram a ordem judicial na quinta-feira (10). Segundo o delegado, embora estivesse no Espírito Santo, Alean continuava em contato com integrantes do grupo na Bahia e articulava o tráfico de drogas a distância.
Depois da prisão, ele foi levado ao Centro de Triagem do Complexo Penitenciário Rodrigo Figueiredo da Rosa, em Viana. Uma eventual transferência para a Bahia ainda depende de decisão judicial.
Homicídio no Recôncavo Baiano
A Polícia Civil da Bahia aponta Alean como mandante da morte de André Lucas, conhecido como “Luquinha”; Erundi Carlos, chamado de “Neguinho” ou “Nem”; e Emerson Gutierre, o “Gu”. Os três foram surpreendidos por criminosos armados enquanto jogavam dominó, em 14 de julho de 2019, no Recôncavo Baiano. Eles foram atingidos por disparos e morreram no local.
Conforme a sentença, as vítimas haviam deixado o grupo “Bonde de Saj” e passado para o “Bonde do Maluco (BDM)”. O crime teria ocorrido em meio a uma disputa entre grupos ligados ao tráfico de drogas.
No julgamento pelo Tribunal do Júri, os jurados reconheceram a participação de Alean nos homicídios e as qualificadoras de motivo torpe e uso de recurso que dificultou a defesa das vítimas. Outros envolvidos receberam condenações de 78 e 86 anos de prisão.








