Blumenau, Segunda-feira, 28 de setembro de 2026
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Brasil

Rede internacional amplia exposição de Flávio Bolsonaro em plataformas digitais

Posts pagos, entrevistas e conexões empresariais aproximam Flávio Bolsonaro de uma rede estrangeira ligada à direita internacional.

Como atua a rede estrangeira ligada a Donald Trump em favor de Flávio Bolsonaro na eleição brasileira
Foto: Divulgação Flávio Bolsonaro/Reprodução rede X

Posts pagos no X, entrevistas e relações empresariais aproximam Flávio Bolsonaro de uma rede internacional que envolve a plataforma Polymarket, perfis de notícias e empresas de tecnologia eleitoral. A conexão reúne nomes ligados a Donald Trump, Javier Milei e à direita latino-americana, mas os documentos analisados não comprovam uma operação única coordenada para beneficiar o senador.

Em 20 de setembro, o perfil Visegrád24 publicou para mais de 1 milhão de seguidores no X uma mensagem sobre o crescimento das chances de Flávio vencer a eleição na Polymarket. A publicação, acompanhada de uma imagem do senador com Javier Milei, recebeu a identificação “parceria paga”, posteriormente apagada. Em 30 de abril, o mesmo perfil havia divulgado outro conteúdo pago, afirmando que Flávio liderava as cotações, com 43% contra 38% de Lula.

O Visegrád24 também entrevistou Flávio em fevereiro. Na ocasião, o senador afirmou que o Brasil tinha “um presidente que apoia terroristas”. Em 2026, o perfil passou a acompanhar o político com mais frequência: em 27 de janeiro, publicou trechos de um discurso dele em Jerusalém; em 4 de fevereiro, divulgou a entrevista sobre o Supremo, política externa, Estados Unidos e crime organizado.

As principais conexões

A Polymarket é uma plataforma de mercados de previsão. Nela, usuários negociam contratos baseados em possíveis resultados de eleições, competições esportivas e outros eventos. As porcentagens exibidas não representam pesquisas eleitorais: indicam o preço dos contratos negociados no mercado.

O acesso à plataforma foi bloqueado no Brasil em abril, porque a empresa não tem autorização para operar no país. Desde junho de 2025, porém, a Polymarket é parceira oficial de mercados de previsão do X. Em agosto de 2025, recebeu investimento do fundo 1789 Capital, do qual Donald Trump Jr. é sócio. Ele também passou a integrar o conselho consultivo da empresa.

O Visegrád24 é mantido pela Intermarium Foundation, entidade americana sem fins lucrativos. Em 2024, a fundação arrecadou US$ 852.312. A DonorsTrust registrou um repasse de US$ 175 mil à entidade com a finalidade de apoiar o Visegrád24. O registro, no entanto, não demonstra que esse valor tenha financiado publicações sobre Flávio.

Javier Negre aparece em outra frente da rede. Empresário espanhol, ele é vice-presidente da UHN Plus Media Network, registrada na Flórida em novembro de 2025, e proprietário do La Derecha Diario. A UHN publicou ao menos nove posts relacionando Flávio às cotações da Polymarket desde 30 de março. Em 14 de abril, uma dessas publicações foi identificada como parceria paga.

Negre também participou da criação da edição em espanhol do Visegrád24, em parceria com a EDATV e o La Derecha Diario. A UHN apresentou essas estruturas, além da Informa Radio, como integrantes de uma aliança de mídia. O arranjo divulgado pelos próprios envolvidos não comprova sociedade ou caixa comum com a conta principal do Visegrád24.

Fernando Cerimedo e a tecnologia eleitoral

Outra ligação passa pelo marqueteiro argentino Fernando Cerimedo, que foi sócio de Negre no La Derecha Diario. Em fevereiro, durante a Hispanic Prosperity Gala, realizada no clube de Donald Trump na Flórida, Eduardo Bolsonaro entregou a Cerimedo o prêmio de “consultor político do ano”. No evento, Eduardo declarou que venceria as eleições de outubro com o irmão Flávio.

Cerimedo também agradeceu a Brad Parscale, ex-chefe da campanha de Donald Trump e criador da Campaign Nucleus. Em março de 2025, o argentino anunciou que representaria na América Latina as tecnologias da Campaign Nucleus e da EyesOver, ferramentas voltadas ao acompanhamento do sentimento público, à segmentação de público e à orientação de mensagens eleitorais.

Registros oficiais dos Estados Unidos indicam que a Campaign Nucleus LLC, a EyesOver LLC e a Clock Tower X LLC aparecem associadas ao endereço 3745 Medina Road, Unit C, Medina, Ohio, ou a variações desse endereço.

Cerimedo nega qualquer vínculo com a campanha de Flávio. Segundo ele, a relação com a UHN Plus, o Visegrád24 e a Polymarket é responsabilidade exclusiva de Javier Negre.

O marqueteiro argentino está preso preventivamente na Bolívia. O Ministério Público boliviano o acusa de ser mandante de uma tentativa de feminicídio contra a ex-companheira, Nadia Beller. A defesa nega as acusações. Cerimedo também foi investigado no Brasil por divulgar, em 2022, alegações sem provas de fraude eleitoral.

O que os documentos mostram

A sequência de fatos indica que o contato com Flávio começou antes da onda de anúncios identificada em setembro. O Visegrád24 tinha parceria anunciada com veículos de Negre, entrevistou o senador em fevereiro e publicou conteúdos pagos sobre suas cotações em abril e setembro. A UHN Plus também divulgou posts pagos associados à Polymarket.

Ainda não foram identificados contratos entre essa rede e a candidatura. Também permanecem sem resposta as perguntas sobre quem financiou os posts do Visegrád24, quem escolheu Flávio como tema e se houve intermediação ou vínculo com fornecedores da campanha.

A legislação eleitoral permite propaganda paga na internet apenas nas hipóteses de impulsionamento previstas em lei e contratadas por agentes autorizados. As regras do TSE vigentes em 2026 proíbem conceder vantagem econômica a pessoas físicas ou jurídicas para que publiquem conteúdo político-eleitoral em seus próprios canais.

A campanha de Flávio afirmou anteriormente que não tinha conhecimento dos anúncios e negou relação formal com Cerimedo. O X informou ao TSE que manteria proibidos no Brasil os anúncios políticos e de campanha. A defesa de Cerimedo também contesta as acusações relacionadas ao processo na Bolívia.

Texto produzido pela Redação Rota do Saber com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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