SÃO PAULO — Renan Santos, candidato do Missão à Presidência, intensificou as críticas ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e também atacou os eleitores do adversário. Durante um evento com empresários, afirmou que não respeita a opinião política de quem pretende votar no senador e classificou essa posição como “lixo”.
Na mesma ocasião, Renan associou Flávio Bolsonaro a pessoas investigadas por ligação com o Comando Vermelho. O candidato afirmou que o senador seria “aliado do crime organizado” e “envolvido” com a organização. As declarações são acusações feitas por Renan, sem conclusão judicial que ligue diretamente Flávio Bolsonaro à facção.
A argumentação apresentada pelo candidato menciona Rodrigo Bacellar e Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Joias. Em agosto, Renan disse que Flávio havia apoiado os dois e afirmou que ambos teriam ligação com o Comando Vermelho. Segundo o candidato, essa avaliação seria da Polícia Federal.
Investigações citadas
Bacellar e TH Joias foram investigados pela Polícia Federal em um caso sobre vazamento de informações sigilosas para integrantes do Comando Vermelho. Em fevereiro, a corporação concluiu o inquérito e indiciou os dois e outras pessoas sob suspeita de participação no esquema. A defesa de Bacellar negou crimes e classificou o indiciamento como arbitrário.
Em março, a Procuradoria-Geral da República denunciou os investigados por obstrução de investigação relacionada à facção. Em agosto, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal aceitou a denúncia, tornando-os réus. A decisão não apontou participação de Flávio Bolsonaro nos fatos investigados.
As críticas de Renan ao senador começaram antes da declaração mais recente. Em julho, ele chamou Flávio de “criminoso” e questionou a proximidade política do senador com Bacellar e TH Joias. Em agosto, também afirmou que Flávio seria “aliado do crime organizado no Rio de Janeiro”. Na mesma ocasião, criticou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o classificou como “amigo do crime organizado”.
Renan Santos foi oficializado como candidato do Missão em julho. Desde o início da campanha, o candidato tem direcionado críticas ao governo Lula, ao bolsonarismo e a outros nomes da direita. A declaração mais recente ampliou o confronto para os eleitores identificados com Flávio Bolsonaro, além da disputa entre os candidatos.








