BRASÍLIA — O setor público e as atividades ligadas a serviços concentraram a maior parcela da população ocupada no Distrito Federal em 2025, enquanto construção, serviços domésticos e indústria geral perderam participação desde 2012. Os dados fazem parte do módulo Características Adicionais do Mercado de Trabalho da PNAD Contínua, divulgado nesta quarta-feira (23) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A administração pública, defesa e seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais reuniram quase 30% dos trabalhadores. O grupo inclui saúde e educação públicas e privadas. Na sequência, informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas responderam por 24,5% da população ocupada.
A construção passou de 7,4% em 2012 para 4,7% em 2025. O percentual de trabalhadores em serviços domésticos caiu de 6,7% para 4,7%, enquanto a indústria geral recuou de 5,6% para 3,7%. Em sentido contrário, os grupos ligados à administração pública, aos serviços sociais e às atividades de informação e comunicação tiveram crescimento de 3,1 pontos percentuais.
Ocupação e trabalho por conta própria
Apesar da mudança na composição setorial, o número de pessoas ocupadas chegou a 1,57 milhão em 2025, alta de 7% ante 2024. A população em idade de trabalhar alcançou 2,48 milhões, aumento de 1,9% no mesmo intervalo. Com isso, o nível de ocupação ficou em 63,3%, acima dos 60,3% registrados em 2024 e 3,0 pontos percentuais maior.
Entre empregadores e trabalhadores por conta própria, 47,5% tinham registro no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), o equivalente a 354 mil pessoas. Do total, 283 mil eram trabalhadores por conta própria e 71 mil, empregadores. O registro alcançava 36,8% dos trabalhadores por conta própria, ou 104 mil pessoas, e 90,0% dos empregadores, grupo que reunia 64 mil.
No conjunto formado por empregados do setor privado, empregadores, trabalhadores por conta própria e trabalhadores auxiliares, havia 1,14 milhão de pessoas. Mais da metade, 56,4%, trabalhava em estabelecimento do próprio empreendimento. Outros 13,2% estavam em local definido pelo empregador, patrão ou freguês, e 10,6% atuavam no próprio domicílio.
A parcela vinculada ao estabelecimento do próprio empreendimento subiu de 55,7% em 2024 para 56,4% em 2025. Em 2012, o índice era de 74,0%. Já o percentual de trabalhadores no domicílio de residência teve redução de -0,4 ponto percentual nos dois anos mais recentes.
Avaliação de economistas
Para Newton Marques, o movimento acompanha a redução da participação de atividades industriais observada no país e reforça a predominância dos serviços no Distrito Federal. Ele citou limitações no fornecimento de água e energia elétrica e afirmou que a administração pública, o comércio e o empreendedorismo acabam sendo alternativas para parte dos trabalhadores.
César Bergo, economista e professor da Universidade de Brasília (UnB), também avaliou que o Distrito Federal depende da administração pública e dos serviços relacionados a ela. Para o professor, outras áreas precisam ganhar participação, como tecnologia, inovação, turismo, economia criativa e serviços especializados.
A rotina de Michelle Souza exemplifica o trabalho autônomo. Professora de português para estrangeiros e jornalista, ela atua entre o Brasil e a Argentina. Antes de abrir o CNPJ, trabalhava com assessoria de imprensa para órgãos públicos e mantinha um blog. Atualmente, conta com dois profissionais na assessoria, um em São Paulo e outro em Brasília.
Os economistas também chamaram atenção para a proteção social dos trabalhadores autônomos. Bergo defendeu uma análise sobre a seguridade dessas pessoas. Marques apontou que quem não tem contrato fixo pode ficar sem cobertura previdenciária, seguro de trabalho e FGTS, além de enfrentar limitações para tirar férias.







