GOIÂNIA — O Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO) decidiu retirar a tornozeleira eletrônica do presidente da Associação da Feira Hippie de Goiânia, Waldivino da Silva. A decisão foi tomada na última terça-feira (22), após a revisão da medida determinada pela primeira instância em meio a denúncias de assédio.
Com a mudança, o dirigente poderá circular livremente pela feira e pela sede da associação. O tribunal também afastou a possibilidade de alertas decorrentes de aproximação inversa, situação em que a vítima se dirige ao local onde o investigado está ou passa perto dele sem que haja iniciativa do investigado.
A retirada do equipamento não elimina as demais medidas protetivas. Por unanimidade, o TJGO manteve a proibição de contato direto ou indireto com as pessoas protegidas e a obrigação de preservar distância mínima de 100 metros. A relatoria ficou com o desembargador Itaney Francisco Campos.
Denúncias e manifestações
O caso envolve pelo menos três denúncias. A primeira foi apresentada pelo Ministério Público de Goiás (MPGO) e acusa Waldivino de importunação e coação contra uma funcionária da entidade, em situações ocorridas entre 2018 e o fim de 2023 nas dependências da associação. A acusação também menciona constrangimento associado à posição de superioridade hierárquica e inclui ameaça.
Outras duas denúncias foram registradas em 29 de maio e 19 de julho. Uma mulher relatou assédio sexual com uso de palavras obscenas. Outra suposta vítima afirmou ter sido importunada em mais de uma ocasião, a partir de 2024. Segundo o relato, em um dos episódios Waldivino a teria abraçado por trás e tocado seus cabelos e colo sem autorização. Ela informou que deixou de trabalhar na Feira Hippie em janeiro deste ano.
Em manifestação, o presidente afirmou que a decisão reconheceu não haver justificativa para a tornozeleira e negou as acusações. “Sigo firme no meu maior propósito, que sempre foi a luta em prol do feirante da Feira Hippie”, declarou. Waldivino também disse estar convicto de sua inocência e afirmou que pretende buscar reparação por ataques à sua honra.







