A alimentação das orcas é orientada pelo aprendizado dentro dos grupos familiares. Por isso, humanos não costumam ser reconhecidos como presas na natureza: não fazem parte do ambiente ocupado por esses animais nem da dieta tradicional de suas populações.
A bióloga e ecóloga Morgana Bruno, professora da Universidade Católica de Brasília (UCB), explica que as orcas não caçam apenas por instinto. As escolhas alimentares são influenciadas pelo conhecimento acumulado ao longo das gerações e pelo comportamento ensinado pelas matriarcas.
A seletividade também está ligada à capacidade desses predadores de identificar o que interessa na água. O biólogo Matheus Félix, do AquaRio, afirma que elas analisam rapidamente o formato e os movimentos de outros animais. A ecolocalização permite ainda perceber a estrutura acústica dos indivíduos presentes no mar, ajudando as orcas a diferenciar humanos de suas presas habituais.
Segundo os especialistas, incluir pessoas na alimentação exigiria uma mudança de comportamento e poderia representar um processo adaptativo custoso. Morgana afirma que o conservadorismo alimentar faz com que uma nova geração não considere humanos como alimento se essa possibilidade não for ensinada pela matriarca.
O comportamento em cativeiro
A ausência de ataques observada entre orcas selvagens não se aplica necessariamente a animais mantidos em cativeiro, como em parques temáticos. Ambientes pequenos e diferentes do habitat natural podem provocar isolamento social e privação sensorial. Essas condições podem gerar estresse e alterações psicológicas capazes de modificar o comportamento e aumentar a agressividade.
Morgana destaca que existe uma grande diferença entre orcas selvagens e aquelas mantidas em cativeiro.
Riscos de uma aproximação
Mesmo que não considerem humanos como presas, as orcas continuam sendo animais de grande comprimento e peso. Um contato físico pode causar acidentes. Se uma delas empurrar ou puxar um mergulhador para o fundo por curiosidade, por exemplo, pode ocorrer afogamento ou hipotermia profunda.
A aproximação de filhotes ou a entrada no território dos animais também pode provocar respostas de ataque. Félix acrescenta que, em algumas regiões do mundo, orcas desenvolveram o hábito de interagir com embarcações, o que pode causar danos aos barcos e acidentes no mar.







