Um estudo brasileiro sobre os fatores que levam jararacas a atacar humanos venceu a categoria Biologia do IgNobel 2026. A cerimônia foi realizada nesta quinta-feira (3/9), em Zurique, na Suíça.
A pesquisa foi conduzida por pesquisadores da Unesp e do Instituto Butantan. O artigo foi publicado na revista Scientific Reports em 2024. O IgNobel reconhece trabalhos científicos inusitados e segue o lema: “Primeiro faz as pessoas rirem. Depois, as faz pensar”.
Para investigar o comportamento das serpentes, os cientistas reuniram mais de 100 jararacas em um espaço preparado para os experimentos. Um pesquisador usava uma bota de segurança, aproximava-se a cerca de 5 cm de cada animal e tocava levemente três regiões do corpo: cabeça, parte central e cauda. Os testes ocorreram de manhã e à noite, enquanto a temperatura das cobras era monitorada.
Os resultados indicaram que o risco de picada foi de cerca de 44% quando a cabeça era tocada. O índice caiu para 20% na região central e para 11% na cauda. A idade e a temperatura também apareceram associadas às respostas dos animais. Recém-nascidos deram mais botes do que adultos, e as fêmeas picaram mais quando a temperatura estava alta.
Além de Biologia, a edição premiou pesquisas em nove categorias. Em Química, o trabalho vencedor comparou a energia do leite de uma espécie de barata com a do leite de vaca. Em Olfato, pesquisadores analisaram a reação dos pais ao cheiro de bebês e adolescentes.
Também foram reconhecidos estudos sobre a definição de beijo, a saúde do solo a partir do enterro de roupas íntimas, o uso da estrutura de mosquitos em impressão 3D, comportamentos reprováveis entre pessoas de classes sociais mais ricas, respingos em mictórios, amizades baseadas em desafetos comuns e a aerodinâmica de assoar o nariz.







