A inteligência artificial já participa da elaboração de soluções matemáticas, mas seus resultados ainda precisam passar pela avaliação de especialistas. A OpenAI afirmou ter resolvido a equação de Navier-Stokes, um dos “Problemas do Milênio”, porém o Clay Mathematics Institute não confirmou a validade da proposição.
A equação investiga se o movimento de um fluido tridimensional pode sofrer uma ruptura. O instituto é responsável pela criação do conjunto de enigmas formulados para desafiar matemáticos.
Para Caio Costa, físico atômico e molecular e professor da Universidade Católica de Brasília, o episódio indica uma mudança no papel da tecnologia. “A IA deixa de ocupar apenas o papel de tutora” e passa a participar mais ativamente da criação de teorias, afirmou.
Verificação das soluções
Atualmente, a IA funciona principalmente como apoio aos profissionais. A ferramenta pode ajudar na escolha de técnicas e na resolução de equações, mas ainda existe o risco de produzir informações inventadas para chegar a uma resposta.
Por isso, matemáticos devem revisar as soluções apresentadas pelas máquinas. Rodrigo Barros, professor de ciência da computação da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, afirmou que um resultado novo só tem relevância quando pesquisadores humanos conseguem compreender e avaliar o que foi produzido.
A resolução de problemas matemáticos envolve formular hipóteses, criar modelos, fazer cálculos, conferir os resultados e interpretá-los. Com o desenvolvimento da tecnologia, parte desse percurso poderá ser executada pela própria IA.
Efeitos sobre a pesquisa
Paulo Orenstein, pesquisador do Instituto de Matemática Pura e Aplicada, avalia que a autonomia crescente das ferramentas pode alterar a forma de fazer ciência exata. Ele também destaca que erros durante a busca por soluções podem levar à adaptação de métodos antigos e ao surgimento de ideias novas.
Barros afirma que a automação pode reduzir o incentivo à investigação aprofundada. Em vez de buscar apenas a resposta para um problema, a pesquisa também procura descobrir o que pode ser aprendido durante o estudo. A preocupação é que a matemática perca interesse e que a profissão seja vista como sem função, cenário que, segundo ele, já estaria ocorrendo.







