Tintas, filmes e tecidos tecnológicos podem manter superfícies mais frias mesmo sob sol pleno sem consumir energia elétrica. A tecnologia é estudada como forma de reduzir a entrada de calor e, consequentemente, a demanda por refrigeração.
O funcionamento depende da chamada seletividade espectral. José Ribamar, mestre em ciência de materiais, explica que esses materiais refletem grande parte da radiação solar e apresentam alta emissividade no infravermelho médio. “A tinta convencional apenas reflete a luz visível, mantendo a superfície na mesma temperatura do ar.”
A troca de calor ocorre diretamente com o espaço por meio da janela de transparência atmosférica, faixa entre 8 e 13 micrômetros. Com esse mecanismo, o saldo radiativo pode ser negativo, permitindo que a superfície fique entre 10 °C e 15 °C abaixo da temperatura do ar ao redor. O processo supera os ganhos térmicos por condução e convecção.
Papel da nanotecnologia
A composição, o tamanho das partículas, a porosidade e a organização estrutural são ajustados em escalas microscópicas. Betina Zanetti, doutora em nanotecnologia e diretora da Associação Catarinense de Tecnologia (ACATE), afirma: “Quando controlamos composição, tamanho de partículas, porosidade e organização estrutural, selecionamos como o material interage com a radiação solar para evitar o aquecimento e emitir calor eficientemente”.
Apesar do potencial, o resfriamento radiativo passivo não substitui o ar-condicionado. Ele reduz a carga térmica de superfícies, enquanto o equipamento remove o calor de volumes fechados de ar e permite controlar a temperatura.
A eficiência também diminui com umidade relativa acima de 60%, céu nublado ou ar parado. Nessas condições, o vapor d’água absorve o infravermelho e devolve a radiação para a superfície. Ambientes com alta ocupação humana ou calor produzido por eletrônicos continuam exigindo refrigeração elétrica.
A aplicação em telhados e fachadas pode ajudar a reduzir o efeito das ilhas de calor em grandes áreas urbanas. O avanço comercial, porém, depende da durabilidade das nanoestruturas diante da poeira, da chuva e dos raios UV, especialmente em tecidos e tintas.







