Blumenau, Sexta-feira, 25 de setembro de 2026
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Ciência

Noz de betel é associada a uso de substâncias há mais de 25 mil anos

Análises de restos mortais em Sulawesi indicam que populações antigas mascavam sementes de areca durante o último Período Glacial.

Noz de betel é associada a uso de substâncias há mais de 25 mil anos
Foto: Fakhri/Divulgação

Pesquisadores identificaram evidências de que populações antigas da ilha Sulawesi, na Indonésia, mascavam sementes da palmeira Areca catechu há mais de 25 mil anos. O achado está entre os vestígios mais antigos conhecidos do uso humano de substâncias psicoativas.

O estudo foi publicado nesta quarta-feira, 9, na revista Science Advances. A pesquisa foi realizada por arqueólogos da Universidade de Griffith, na Austrália, em parceria com pesquisadores da Universidade Hasanuddin, na Indonésia.

A noz de betel, também chamada de noz de areca, é uma semente usada como estimulante psicoativo. Atualmente, seu consumo envolve a maceração da noz e a mistura com cal hidratada, formando um composto que pode ser mascado. Esse processo facilita a entrada dos compostos psicoativos na corrente sanguínea e provoca sensação de euforia e maior estado de alerta.

Evidências nos dentes

A frequência do hábito foi identificada por meio de análises das arcadas dentárias. Os dentes apresentavam sinais compatíveis com o uso frequente para chupar algum tipo de objeto, comportamento que inicialmente não havia sido identificado.

Os pesquisadores também analisaram a liberação da arecolina, alcaloide neuroativo responsável pelos efeitos da noz. Os testes indicaram que a mistura da semente com a saliva humana já produzia quantidade suficiente do composto para provocar efeitos psicoativos, mesmo sem a adição de cal hidratada.

Essa conclusão foi relacionada aos restos mortais de dois indivíduos. Um deles viveu durante períodos da última Era Glacial; o outro pertence a alguns milhares de anos depois. Os dentes dos dois apresentavam marcas compatíveis com o hábito de chupar as nozes.

O consumo podia causar efeitos mais brandos do que o uso atual da noz, mas também estava associado a danos de longo prazo nas arcadas dentárias, incluindo doença periodontal severa. Segundo os pesquisadores, o efeito analgésico da semente pode ter levado grupos humanos de Sulawesi a usá-la para aliviar dores nos dentes. O hábito, porém, também poderia agravar os problemas dentais.

Registro histórico do uso de drogas

Antes dessa descoberta, o consenso científico situava o início do uso de substâncias psicoativas há cerca de 13 mil anos, após o surgimento da agricultura na região que hoje corresponde a Israel. Naquele caso, a substância era uma bebida fermentada, a cerveja.

As evidências de Sulawesi deslocam para a região da Ásia e do Pacífico os registros mais antigos descritos no estudo. Elas também indicam que algumas das primeiras substâncias usadas com finalidade psicoativa podem ter origem natural, em vez de serem bebidas preparadas e fermentadas.

A noz de betel não é consumida de forma comum no Ocidente, mas integra o cotidiano oriental. A semente aparece como um dos psicoativos mais consumidos do mundo, geralmente na quarta posição, atrás do álcool, da nicotina dos cigarros e da cafeína associada ao consumo de café.

Texto produzido pela Redação Rota do Saber com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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