A Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou uma resolução para corrigir a representação dos continentes nos mapas. A proposta, liderada pelo Togo, defende uma cartografia baseada em dados científicos e em uma reparação histórica. Com a atualização, a África será o continente com a maior mudança visual, enquanto o Brasil também aparecerá maior nas versões corrigidas.
A decisão foi aprovada nesta sexta, 4, com 164 votos favoráveis. Os Estados Unidos foram o único país a votar contra, e seis países se abstiveram.
Antes da votação, o ministro das Relações Estrangeiras do Togo, Robert Dussey, disse que a aprovação transmitiria uma mensagem de confiança na “verdade científica”. Para ele, a discussão deve ser tratada como científica, e não política, porque existem evidências sobre as distorções dos mapas.
Por que os mapas distorcem os continentes
O problema está na transformação da superfície esférica da Terra em uma representação plana. Os mapas mais utilizados atualmente adotam a projeção de Mercator, criada no século 16 pelo geógrafo belga Gerardo Mercator.
Esse modelo concentra as distorções nas áreas próximas aos polos e reduz visualmente as regiões equatoriais. Como resultado, Europa e América do Norte parecem maiores do que são, enquanto África e América do Sul aparecem menores.
A Groenlândia é apresentada com dimensão semelhante à da África e da América do Sul. Na realidade, a África é 14 vezes maior que a ilha ártica, e o Brasil é quatro vezes maior que a Groenlândia.
A iniciativa também é apoiada por um abaixo-assinado na internet chamado “Corrija o mapa”, mesmo nome da proposta apresentada à Assembleia da ONU. O documento reúne mais de 11.700 assinaturas e afirma que o modelo atual retrata de maneira equivocada o tamanho da África e reduz sua importância.







