Dados divulgados pelo Instituto Semesp mostram que o quadro de professores da educação básica está envelhecendo, enquanto diminui a presença de profissionais em início de carreira. Entre 2015 e 2023, o total de docentes do ensino médio cresceu 6,6%, mas o número de professores com até 24 anos caiu 31,1%, passando de cerca de 17 mil para 12 mil. No mesmo período, a quantidade de docentes com 60 anos ou mais aumentou 104,5%, de 18 mil para 37 mil.
Para Lúcia Teixeira, presidente do Semesp, o risco de falta de professores está relacionado à capacidade de formar, atrair e incorporar novos profissionais em ritmo suficiente para substituir quem deve deixar a carreira nos próximos anos.
Entre os fatores associados à baixa atratividade estão a remuneração, as condições de trabalho e a falta de perspectiva profissional. Dados da RAIS indicam que, em 2025, professores do ensino médio recebiam aproximadamente R$ 6,5 mil por mês, valor 20% inferior à renda mensal de trabalhadores com ensino superior completo, de R$ 8,1 mil. Entre os docentes de sociologia do ensino médio, a média salarial era de R$ 4.695.
Também em 2025, 41,4% dos professores do ensino médio no Brasil atendiam de 50 a 400 alunos e trabalhavam em dois turnos, em uma ou duas escolas. Esses profissionais ainda atuavam em duas etapas de ensino diferentes, como o ensino fundamental e o ensino médio, segundo o indicador de esforço docente do Inep.
A Taxa de Renovação Docente, criada pelo Semesp, compara a quantidade de professores com até 24 anos ao número de docentes com 60 anos ou mais. Quanto menor o índice, maior o alerta sobre a dificuldade de reposição. Entre 2015 e 2023, a taxa caiu de 1,77 para 0,42 em Química; de 1,59 para 0,40 em Educação Física; de 1,53 para 0,4 em Física; e de 1,45 para 0,37 em Biologia.
No levantamento mais recente, as menores taxas estavam em disciplinas de Humanidades: Geografia, com 0,216; História, com 0,234; Língua Portuguesa, com 0,240; Sociologia, com 0,263; Filosofia, com 0,274; e Artes, com 0,278. Em Geografia, o resultado equivale a aproximadamente um professor jovem para cada cinco docentes mais velhos.
A projeção do Instituto Semesp indica que a taxa média pode chegar a 0,17 em 2040. Nesse cenário, seriam cerca de 10,7 mil professores jovens diante de 61,9 mil docentes com 60 anos ou mais, ou um profissional com até 24 anos para cada seis com 60 anos ou mais.







