Blumenau, Sexta-feira, 25 de setembro de 2026
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Ciência

Cálculos indicam que as curvas do Partenon não corrigiam a visão

Pesquisa de Alain Goriely aponta que as alterações geométricas do templo tinham funções práticas e estéticas, não ópticas.

Cálculos indicam que as curvas do Partenon não corrigiam a visão
Foto: Yannis Behrakis/Reuters/VEJA/VEJA

As alterações geométricas do Partenon não foram feitas para corrigir distorções da visão humana, concluiu o matemático Alain Goriely, da Universidade de Oxford. O estudo foi publicado na revista científica Royal Society Open Science e usou modelagem matemática para avaliar as principais curvas e variações da construção.

O templo foi erguido em Atenas entre 447 a.C. e 432 a.C. pelos arquitetos Ictinos e Calícrates. A interpretação de que suas formas buscavam fazer o edifício parecer perfeitamente reto é atribuída ao arquiteto romano Vitrúvio, no século I a.C. A hipótese ganhou força no século XIX com o arquiteto Francis Cranmer Penrose e continuou presente em livros didáticos e modelos de inteligência artificial.

O que os cálculos analisaram

No estilóbata, a base de mármore do templo, o centro da curvatura convexa se eleva em 6 centímetros. De acordo com a pesquisa, linhas horizontais retas não parecem caídas a olho nu, e a inclinação das colunas não é suficiente para provocar ilusões geométricas como a de Hering.

A êntase, que é o abaulamento central das colunas, apresenta desvio máximo de 18 milímetros no Partenon. Por isso, seria praticamente invisível à distância. Já o espessamento de 4,2 centímetros nas colunas de canto só produziria simetria visual a partir de pontos de vista extremamente restritos na Acrópole.

“As ilusões de ótica que as curvas deveriam corrigir são um absurdo ou praticamente imperceptíveis”, afirmou Goriely. Para o pesquisador, a elevação do piso podia facilitar o escoamento da água da chuva, enquanto o perfil curvo das colunas oferecia uma aparência mais orgânica e fluida.

O historiador da arquitetura clássica Frank Salmon, da Universidade de Cambridge, destacou a cautela de especialistas com os relatos de Vitrúvio. Os tratados originais gregos consultados pelo autor romano foram perdidos.

A análise questiona a ideia de que os construtores da Antiguidade dominavam de forma quase mágica a neurobiologia da visão. O trabalho propõe, em vez disso, que os artesãos gregos tenham combinado tradição empírica e refinamento estético.

Texto produzido pela Redação Rota do Saber com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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