Blumenau, Sexta-feira, 25 de setembro de 2026
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Brasil

Investigações aproximam aliados de Flávio Bolsonaro do crime organizado no Rio

Casos envolvem milícias, contravenção, Comando Vermelho, lavagem de dinheiro e suspeitas de corrupção na política fluminense.

Histórico de Flávio Bolsonaro é marcado por várias acusações de ligações com o crime organizado

Investigações conduzidas pela Polícia Federal, pelo Ministério Público Federal e pelo Ministério Público do Rio de Janeiro envolveram pessoas politicamente próximas a Flávio Bolsonaro em apurações sobre milícias, contravenção, lavagem de dinheiro, corrupção e atuação do Comando Vermelho.

A relação entre Flávio e Adriano da Nóbrega, ex-capitão da Polícia Militar apontado pelo Ministério Público como integrante da milícia de Rio das Pedras e do grupo de extermínio Escritório do Crime, inclui homenagens concedidas pelo então deputado estadual e a contratação da mãe e da então esposa do ex-policial para seu gabinete. Adriano morreu em 2020, durante uma operação policial na Bahia.

Planilhas e operações no Rio

Em 2022, a Polícia Federal apreendeu documentos atribuídos ao contraventor Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho. O material incluía planilhas com valores relacionados a políticos e partidos. Entre os nomes citados estavam Cláudio Castro, Rodrigo Bacellar, Hélio Lopes, Alexandre Ramagem e Gutemberg Fonseca. O inquérito tem mais de quatro mil páginas e registra que as planilhas reproduzidas pela PF mencionam 61 pessoas.

Os documentos foram localizados em novembro de 2022, durante uma etapa da Operação Smoke Free, que investigava o comércio ilegal de cigarros no Rio de Janeiro. Em 2026, o conteúdo passou a ser examinado também na Operação Unha e Carne, voltada à suspeita de infiltração do crime organizado na política fluminense e a esquemas de lavagem de dinheiro.

Em uma das fases da operação, a PF apontou uma organização suspeita de lavar recursos por meio de uma rede de postos de combustíveis, com participação de agentes públicos. Relatório do Coaf registrou movimentações superiores a R$ 7,6 bilhões.

Operação Zargun e aliados políticos

Deflagrada em setembro de 2025 pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal, a Operação Zargun investigou a entrada de integrantes de uma organização ligada ao Comando Vermelho na administração pública fluminense. A apuração também abrangeu tráfico internacional de armas e drogas, contrabando, corrupção e lavagem de dinheiro.

De acordo com o MPF, o grupo pretendia obter informações sigilosas e proteção dentro da estrutura pública. TH Joias, ex-deputado estadual, tornou-se réu na Justiça Federal em setembro deste ano, junto com outros acusados, por suspeitas de corrupção, tráfico de drogas e contrabando relacionados ao Comando Vermelho. O órgão afirma que a organização mantinha presença na Alerj e em órgãos do governo estadual.

Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Alerj, também aparece nas investigações. Em agosto, o Supremo Tribunal Federal recebeu denúncia da Procuradoria-Geral da República contra Bacellar e TH Joias por suspeita de obstrução. A acusação afirma que informações sigilosas da Operação Zargun foram repassadas antes do tempo a TH, o que teria permitido ocultar provas.

Gutemberg Fonseca, ex-secretário estadual de Defesa do Consumidor indicado por Flávio Bolsonaro, é outro nome citado. Mensagens obtidas pela PF registraram Gabriel Dias de Oliveira, conhecido como Índio do Lixão e apontado pelos investigadores como integrante do Comando Vermelho, mencionando um encontro com Gutemberg para apresentar demandas e buscar cobertura política.

Segurança pública no debate eleitoral

Durante a campanha presidencial, Flávio Bolsonaro defendeu que o PCC e o Comando Vermelho sejam classificados como organizações terroristas. Especialistas citados na discussão consideram que a mudança não alteraria o modo de atuação nem a natureza dos crimes das facções e demonstram preocupação com possíveis efeitos sobre a soberania nacional.

Na abertura da Assembleia Geral da ONU, nesta terça-feira (22), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que propôs a Donald Trump uma atuação conjunta dos dois países contra o crime organizado, mas declarou que não aceitará intervenção no Brasil.

Entre as medidas apresentadas pelo governo Lula estão a Lei Antifacção e a PEC da Segurança Pública. Sancionada em março deste ano, a lei criou o Marco Legal do Combate ao Crime Organizado, tipificou crimes de domínio social estruturado e ampliou mecanismos penais e patrimoniais contra organizações criminosas ultraviolentas, milícias e grupos paramilitares.

A PEC busca ampliar a integração entre União, estados e municípios, incluir o Sistema Único de Segurança Pública na Constituição e estabelecer regras para financiamento e para o tratamento penal de lideranças e integrantes de facções, organizações paramilitares e milícias. A Câmara aprovou a proposta, que está no Senado. A Comissão de Constituição e Justiça aprovou o relatório, mas ainda há emendas destacadas pendentes de votação.

O debate sobre políticas de segurança é estudado por Alberto Kopittke, autor do Manual de Segurança Pública Baseada em Evidências. A obra reúne pesquisas brasileiras e internacionais e defende a avaliação de programas de prevenção e redução da violência com base em dados e evidências científicas.

Texto produzido pela Redação Rota do Saber com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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