Blumenau, Sexta-feira, 25 de setembro de 2026
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Aplicativos usam dados públicos para alertar mulheres antes de encontros

Plataformas consultam processos e redes sociais, mas especialistas alertam que a ausência de registros não garante segurança.

Aplicativos usam dados públicos para alertar mulheres antes de encontros

Aplicativos com inteligência artificial estão sendo usados por mulheres para pesquisar possíveis riscos antes de encontros. Plataformas como Plinq e Puft.IA consultam bases públicas, incluindo tribunais, juntas comerciais, diários oficiais e redes sociais, e apresentam relatórios de risco em pouco tempo.

O consultor em direito digital e inteligência artificial generativa Bruno Costa Teixeira explica que as ferramentas agregam dados de forma automatizada. Robôs fazem as consultas, tentam confirmar se os registros pertencem à pessoa pesquisada e usam inteligência artificial generativa para resumir os resultados em linguagem simples. A prática se aproxima de um background check, ou verificação de registros públicos.

A Plinq informa ter mais de 63 mil cadastrados e já ter realizado mais de 70 mil pesquisas. A plataforma usa nome e telefone para buscar informações públicas. Segundo sua idealizadora, Sabrine Matos, 10% dos alertas de risco gerados estão relacionados a registros de violência doméstica. Além de processos criminais, a ferramenta pode reunir dados como estado civil, signo e data de nascimento, quando disponíveis publicamente.

Limites das consultas

A presidente da Comissão da Mulher Advogada da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Espírito Santo, Layla de Freitas, afirma que a agregação de dados públicos é lícita e pode atuar como medida preventiva. A advogada Sandra Araujo, porém, observa que nem todas as mulheres podem ou querem pagar por esse tipo de serviço. Também é possível fazer buscas gratuitas em tribunais e redes sociais.

Helena, que não usa o nome real, contou que pesquisou um pretendente depois de perceber sinais de alerta durante as conversas. Com a ajuda de um amigo advogado, encontrou processos relacionados à Lei Maria da Penha e uma medida protetiva. Aos 37 anos, ela passou a consultar antecedentes antes de encontros e mantém esse hábito cinco anos depois.

A ausência de processos ou registros não significa que uma pessoa não ofereça risco. Layla de Freitas explica que medidas protetivas e processos de violência doméstica podem tramitar sob sigilo. Além disso, boletins de ocorrência que não resultaram em processos não aparecem necessariamente nas consultas públicas. Homônimos, dados desatualizados e interpretações equivocadas também podem levar a atribuições erradas.

“Uma ‘tela limpa’ no aplicativo é, no máximo, ausência de registro formal encontrado até aquele momento — não é certificado de segurança”, afirma Layla de Freitas.

A advogada aponta que comportamentos como controle excessivo, isolamento da rede de apoio, ciúme desproporcional e explosões de agressividade verbal também devem ser considerados sinais de alerta.

Uso dos dados e canais de ajuda

Bruno Teixeira afirma que a consulta para fins de segurança é lícita, mas o compartilhamento de relatórios em grupos, a exposição da pessoa nas redes sociais ou o uso das informações para perseguição podem caracterizar difamação, dano moral ou crime de perseguição.

A descoberta de um processo ou de uma medida protetiva não obriga a mulher a procurar as autoridades, segundo Sandra Araújo. Se houver ameaça, perseguição ou assédio, os canais indicados são a Delegacia da Mulher, o telefone 180 e, em emergências, o 190.

A publicitária Jessica Soma também passou a fazer pesquisas antes de encontros depois de sair de um casamento de 18 anos. Ao usar aplicativos, ela buscava informações manualmente na internet para se sentir mais segura. As ferramentas automatizadas seguem a mesma lógica de prevenção, mas não funcionam como atestado de segurança e não substituem medidas como marcar encontros em locais públicos, compartilhar a localização e combinar códigos com amigas.

Texto produzido pela Redação Rota do Saber com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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