A Universidade Federal de Goiás (UFG) concederá o título de Doutor Honoris Causa a Edson Franco Gomes, um dos pioneiros na difusão da Língua Brasileira de Sinais (Libras) em Goiás. A cerimônia será realizada na próxima segunda-feira (28), às 9h, pelas faculdades de Educação e de Letras da universidade.
Nascido em 20 de junho de 1940, em Jaguari, na Bahia, Edson é filho de pais ouvintes e o primeiro de seis irmãos. A família se mudou para Goiás quando ele tinha sete meses. Antes de conhecer a língua de sinais, comunicava-se com os familiares por meio de uma forma própria. A mãe o ensinou a ler e escrever usando uma máquina de escrever.
Aos 10 anos, ele ingressou no Instituto Nacional de Educação de Surdos (Ines), no Rio de Janeiro. Permaneceu na instituição por sete anos, concluiu o ensino médio e teve contato com outras pessoas surdas, período em que aprendeu a língua de sinais.
Atuação na educação de pessoas surdas
De volta a Goiás em 1957, aos 17 anos, Edson começou a trabalhar na educação de pessoas surdas e a divulgar a língua de sinais no estado. Em 1960, iniciou a carreira de educador no Instituto Pestalozzi de Goiânia, ligado à Secretaria de Educação de Goiás, onde atuou com 15 crianças surdas.
Pesquisas sobre a história da Libras em Goiás o identificam como o primeiro professor surdo do estado. Ele também participou da formação de professores surdos e ouvintes que passaram a trabalhar com a língua de sinais. No Instituto Pestalozzi, estudantes surdos se reuniam com Edson durante os intervalos para conversar.
Esses encontros contribuíram para a criação da Associação dos Surdos de Goiânia (ASG). Edson foi um dos fundadores da entidade em 1968, que foi oficializada em 12 de julho de 1975. Ele ocupou a presidência até 1985. Antes de a associação ter sede própria, documentos, troféus e outros objetos ficavam guardados em um quarto na casa do professor.
Em 1987, Edson fundou, com o filho e a nora, o Sistema Educacional Chaplin, primeira escola de Goiás voltada à formação de tradutores e intérpretes de Libras. Anos depois, colaborou na elaboração do Projeto Pedagógico do curso de Letras: Libras da UFG, que começou a funcionar em 2008 e se tornou o primeiro curso presencial de Licenciatura em Libras no Brasil.
A trajetória do professor também foi registrada no livro A Língua de Sinais em Goiás e as memórias de um professor surdo – Uma história sinalizada, da professora Edna Misseno, publicado em junho. A obra reúne fotografias, documentos, relatos e memórias sobre a história da Libras no estado a partir da vida de Edson.
Ao falar sobre sua trajetória, Edson afirmou que seu principal orgulho é ter ajudado outras pessoas surdas a reconhecerem a própria capacidade de aprender, ensinar e construir sua história. Ele também avaliou que atualmente há mais consciência sobre os direitos das pessoas surdas, a importância da Libras e a necessidade de inclusão.







