ESPÍRITO SANTO — O descongelamento de embriões apresenta risco de perda estimado entre 2% e 5%, segundo Ronney Guimarães, ginecologista e especialista em Reprodução Humana Assistida, parceiro da clínica Unifert. O médico afirma que as complicações associadas a uma gestação após os 40 anos estão relacionadas principalmente à idade da mulher, e não ao embrião.
No Espírito Santo, clínicas de reprodução humana assistida mantêm embriões congelados há mais de 28 anos. Dados do Sistema Nacional de Produção de Embriões (SisEmbrio), da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), registram 8.791 embriões armazenados em quatro centros do Estado entre 2020 e 2025.
Armazenamento e idade biológica
Na clínica Jules White, há embriões guardados desde fevereiro de 1998, conforme a ginecologista e especialista em Reprodução Humana Cindy White. O material permanece em tanques com nitrogênio líquido a -196°C, temperatura que praticamente interrompe a atividade metabólica.
Cindy White explica que o embrião conserva as características biológicas relacionadas à idade dos óvulos no momento do congelamento. “O embrião continua tendo potencial biológico relacionado aos óvulos dos 30 anos e não dos 40”, afirmou.
A idade da mulher na transferência, porém, pode influenciar o resultado. Alterações no útero e outras condições de saúde podem surgir com o passar dos anos e afetar as chances de gravidez.
A técnica mais utilizada atualmente é a vitrificação, um congelamento ultrarrápido que reduz a formação de cristais de gelo capazes de danificar as células. Substâncias crioprotetoras também protegem o embrião durante a exposição às baixas temperaturas.
Destino do material
Antes da formação dos embriões, o casal deve registrar por escrito o destino do material que permanecer congelado. As opções incluem utilização no próprio tratamento, doação para outros pacientes conforme as regras aplicáveis, envio para pesquisa quando houver possibilidade legal e científica ou descarte de acordo com as normas vigentes.
A empresária Fabiane Vailant, de 44 anos, e o empreendedor Cristiano da Mata, de 45, tiveram Gabriel, de 16, e Lívia, de 7, após fertilização in vitro. Os embriões foram congelados na mesma época. Gabriel foi implantado um mês depois, enquanto Lívia nasceu após uma nova implantação, dez anos depois de uma perda gestacional.








