BRASÍLIA — O senador Flávio Bolsonaro viajou de Fort Lauderdale para Brasília em 19 de janeiro de 2025 a bordo de um jato que tinha uma participação da Prime You, empresa que mantinha Daniel Vorcaro entre os sócios. O voo ocorreu após uma viagem em família à Flórida e contou também com Willer Tomaz, advogado e empresário que possuía outra cota da aeronave.
O avião é um Legacy 650 de prefixo PP-NLR. Registros históricos de tráfego aéreo, uma planilha de movimentos aeroportuários e dados do Registro Aeronáutico Brasileiro indicam que a aeronave saiu do Aeroporto Internacional de Fort Lauderdale-Hollywood e pousou em Brasília na mesma data apontada pela Polícia Federal para a viagem de Flávio e Tomaz.
A mulher do senador, Fernanda Antunes Figueira Bolsonaro, e as duas filhas do casal estavam entre os passageiros. Tomaz confirmou que era dono de um terço das cotas do avião, por meio de uma empresa de sua titularidade.
Participação na aeronave
A propriedade formal do jato estava concentrada na Fraction 024 Administração de Bem Próprio S.A., dividida em três participações. Uma pertencia a Tomaz, por meio da Alcazar Holdings; outra, a Laércio Cosentino, fundador da TOTVS; e a terceira havia sido vendida à Prime de Daniel Vorcaro no fim de 2024.
A Prime You também operava a aeronave por meio da Prime Aviation Táxi Aéreo e Serviços. Conforme informações da própria empresa, Vorcaro foi sócio da Prime You de 2021 até setembro de 2025.
Um relatório da Polícia Federal registrou que cada participação de 33,33% valia 5,5 milhões de dólares em maio de 2025. Naquele período, a empresa negociava a transferência de uma cota para o escritório de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro Alexandre de Moraes. A operação não foi concluída.
Entre setembro de 2024 e setembro de 2025, a Fraction 024 transferiu 7,6 milhões de reais ao Banco Master em 36 operações, conforme comunicação do Bradesco ao Coaf. No mesmo intervalo, foram pagos outros 6,5 milhões de reais à Prime Aviation.
Declarações de Tomaz
Em nota, Tomaz afirmou que a Prime You administrava o jatinho e organizava sua escala de utilização. Disse ter descoberto apenas em abril de 2026 que Vorcaro teria adquirido uma participação na aeronave. Depois disso, declarou ter encerrado o contrato e estar em litígio com a empresa.
“Willer Tomaz não conhece Daniel Vorcaro, jamais esteve com ele e nunca celebrou com ele qualquer negócio — de qualquer natureza”, afirmou a nota.
O advogado também disse que oferecia carona a amigos quando havia assentos disponíveis, sem custo ou contrapartida. Ele não informou se Flávio Bolsonaro e a família foram seus convidados no voo. Flávio e a defesa de Vorcaro não responderam aos pedidos de entrevista.
A viagem ocorreu enquanto Flávio e Vorcaro negociavam o financiamento de Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro. O cronograma previa 24 milhões de dólares, com 2 milhões de dólares previstos para 20 de janeiro de 2025 e outros 2 milhões cinco dias depois.
A primeira parcela foi transferida em 13 de fevereiro, 24 dias após a data inicialmente prevista. A Polícia Federal investiga o caminho dos recursos enviados ao Havengate Development Fund, nos Estados Unidos, e a destinação do dinheiro relacionado ao financiamento.







