O Governo Federal marcou para terça-feira (29) uma reunião com clubes e federações estaduais para discutir os efeitos da Medida Provisória que proibiu as bets no país. Anunciada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na sexta-feira, a medida gerou reação entre representantes do futebol brasileiro.
O Ministério do Esporte encaminhou um ofício a Samir Xaud, presidente da CBF, solicitando a participação de representantes dos clubes e das federações. O encontro será articulado pelo ministro Paulo Henrique Perna Cordeiro e terá como foco o fortalecimento das equipes e do futebol nacional, além da construção conjunta de iniciativas para o setor.
A reunião deverá servir para que o governo ouça as demandas dos clubes e faça um diagnóstico dos impactos provocados pela decisão. Também serão avaliadas alternativas para reduzir possíveis prejuízos relacionados ao encerramento dos contratos com empresas de apostas esportivas. Eventuais medidas de apoio serão analisadas posteriormente.
Patrocínios em avaliação
Empresas de apostas on-line já notificaram equipes sobre a possibilidade de romper contratos de patrocínio. Dirigentes alertaram que a situação pode dificultar o cumprimento de compromissos financeiros nos próximos meses.
Entre os 20 times da primeira divisão do Campeonato Brasileiro, 14 mantêm contratos de patrocínio master com casas de apostas. A previsão é que o mercado movimente cerca de R$ 1,1 bilhão no futebol brasileiro em 2026, valor semelhante ao da última temporada.
Em 2024, 18 dos 20 clubes da primeira divisão exibiam marcas do segmento nos uniformes. Naquele ano, o mercado movimentou cerca de R$ 523 milhões. As empresas também passaram a ocupar os naming rights dos principais campeonatos nacionais.
Um levantamento indica, porém, que nenhum contrato com bets corresponde a mais de 13% do orçamento de um participante do campeonato. Na Série A, aproximadamente 7% das receitas dos clubes vêm de patrocínios de empresas de apostas.







