O candidato do PSB ao governo de Santa Catarina, Gelson Merísio, afirma que o apoio ao bolsonarismo perdeu parte da intensidade emocional no Estado. Na avaliação dele, embora o eleitorado catarinense continue majoritariamente à direita, a mudança abre espaço para que adversários disputem votos antes considerados pouco acessíveis.
Merísio também critica a atuação do governador Jorginho Mello (PL), candidato à reeleição. Segundo o pessebista, o governo estadual investe “uma barbaridade de R$ 1 bilhão” em mídia para preservar uma estrutura política fechada a opiniões divergentes. O candidato afirma que esse ambiente dificulta o debate e mantém a base da direita distante de informações diferentes.
Relação com o governo federal
O candidato, que apoia o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em Santa Catarina, acusa Jorginho Mello de evitar uma aproximação institucional com o governo federal para não contrariar seu eleitorado. Para Merísio, o governador deveria dialogar com o presidente em Brasília sobre melhorias para o Estado.
Na avaliação do candidato, a polarização afasta Santa Catarina do governo federal. Ele defende a retomada do diálogo entre as administrações estadual e federal como primeiro passo para aproximar o Estado do restante do país.
Merísio afirma que a atual predominância bolsonarista não resulta apenas da tradição de direita em Santa Catarina. Ele relaciona o cenário à combinação entre a influência histórica da direita convencional, o crescimento do bolsonarismo a partir de 2018 e a aproximação de eleitores evangélicos com esse grupo político.
O candidato atribui parte desse processo a erros da esquerda. Segundo ele, evangélicos que anteriormente mantinham maior proximidade com a esquerda no Estado passaram a integrar a base de apoio de Bolsonaro.
Mudança de posição
A avaliação é feita por um político que apoiou Bolsonaro no primeiro turno da eleição de oito anos atrás, quando disputou o governo pelo PSD. Merísio afirma que tomou a decisão porque essa era a posição predominante entre seus eleitores. “Eu fui coerente com as pessoas que estavam comigo. Eu não sou dono da verdade”, declarou.
Depois da eleição, porém, o candidato diz ter mudado de opinião sobre Bolsonaro. Ele criticou especialmente a condução da pandemia de covid-19 pelo ex-presidente, classificada por Merísio como “criminosa”. Para ele, a politização da crise e a falta de orientação técnica contribuíram para mortes, inclusive em Santa Catarina.
Em 2022, Merísio afirma que já não poderia apoiar Bolsonaro. A aproximação com Lula ocorreu por intermédio de Décio Lima (PT), hoje candidato ao Senado. Segundo o pessebista, o contato com o presidente deixou de ser apenas uma escolha entre alternativas eleitorais e se transformou em convicção.







