BRASÍLIA — O diretor-executivo da Polícia Federal (PF), William Marcel Murad, assumiu o comando da corporação após o afastamento preventivo do diretor-geral, Andrei Rodrigues, determinado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). O diretor de Inteligência da PF, Leandro Almada, também foi afastado.
A decisão foi tomada no início da manhã, antes da abertura do 63º Curso de Formação Profissional para agentes da PF, realizado em Brasília. No discurso aos alunos, Murad afirmou que a atuação autônoma, imparcial, técnica e apartidária permite à instituição responder a ataques e a tentativas de desqualificar seu trabalho.
“Reafirmo nossa total confiança no diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues”, declarou Murad. Ele também disse que a corporação trabalha dentro da lei e voltada ao interesse público. “A verdade dos fatos, que buscamos incansavelmente em nossas investigações, prevalecerá”, afirmou.
Motivo do afastamento
Em seu despacho, Mendonça afirmou ter sido monitorado ilegalmente durante o mês passado, com a elaboração de ao menos seis relatórios de inteligência. A existência dos documentos veio a público depois que o ministro Alexandre de Moraes, também do STF, divulgou um deles.
Moraes usou o relatório para sustentar que Mendonça estaria cometendo abusos de autoridade ao fazer direcionamentos, como relator, nas investigações da Operação Compliance Zero. A operação apura o envolvimento de agentes públicos em fraudes financeiras do Banco Maste, de Daniel Vorcaro.
Para determinar o afastamento temporário, Mendonça apontou a gravidade e a ilicitude da divulgação dos relatórios de inteligência da PF por Moraes. Segundo o ministro, a medida busca interromper o monitoramento e a coleta dirigida de informações.
Análise no Supremo
Pouco depois da decisão, a Segunda Turma do STF formou maioria para manter o afastamento de Rodrigues. O julgamento foi interrompido por um pedido de vista do ministro Gilmar Mendes. Enquanto o caso não voltar à pauta, continuam valendo os efeitos da liminar de Mendonça.
Murad afirmou ainda que a PF defenderá suas atribuições e a legalidade das investigações. O Ministério da Justiça e Segurança Pública, ao qual a corporação está vinculada, não havia se manifestado até a publicação das informações, em 08 de setembro de 2026.







