A coceira intensa no couro cabeludo, especialmente na nuca e atrás das orelhas, é um dos principais sinais da pediculose. A confirmação ocorre com a identificação de lêndeas ou piolhos vivos, quando o tratamento deve ser iniciado.
A infestação é comum durante a infância e não está relacionada à higiene pessoal, à limpeza da casa, à classe social ou ao tipo de cabelo. Hamilton Robledo, pediatra da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, afirma que o problema depende da forma de transmissão. “O piolho é um parasita transmissível que não tem nenhuma relação com a falta de higiene pessoal ou com a limpeza do ambiente”.
Como ocorre a transmissão
A pediculose é provocada pelo Pediculus humanus capitis, inseto que se alimenta do sangue do couro cabeludo. O parasita não pula nem voa. A transmissão acontece principalmente quando há contato direto entre as cabeças, situação frequente em brincadeiras e atividades escolares.
O compartilhamento de objetos próximos à cabeça também pode contribuir para a propagação, embora seja uma forma menos comum. Entre os itens estão bonés, escovas de cabelo, tiaras, presilhas, travesseiros e outros objetos de uso pessoal. Por isso, ambientes de convivência infantil podem favorecer a disseminação.
Tratamento e cuidados em casa
A remoção diária com pente fino em cabelos úmidos e com condicionador é uma das medidas indicadas para retirar insetos e ovos. Dependendo do caso, podem ser necessários medicamentos, loções ou shampoos específicos. Esses produtos precisam ser usados com orientação profissional, de acordo com a idade e as condições da criança.
Receitas caseiras, medicamentos sem prescrição e produtos químicos não indicados por médicos devem ser evitados. O couro cabeludo infantil é sensível e pode sofrer queimaduras ou reações alérgicas graves. Todos os moradores da casa devem ser examinados e, quando necessário, tratados ao mesmo tempo para interromper o ciclo de reinfestação.
Prevenção e comunicação
A vistoria semanal do couro cabeludo com pente fino ajuda a identificar novos casos. Também é recomendado orientar as crianças a não compartilhar pentes, escovas, bonés e presilhas, além de manter os cabelos compridos presos em atividades de grupo ou no ambiente escolar.
Roupas de cama e toalhas usadas por pessoas infestadas devem ser lavadas com água quente ou passadas a ferro. A comunicação com a escola e com os responsáveis por crianças que tiveram contato próximo também contribui para interromper a transmissão. Para Hamilton Robledo, “A melhor forma de lidar com a pediculose é a naturalidade e a comunicação aberta”.








