Blumenau, Sexta-feira, 25 de setembro de 2026
Prova, edital e conteúdo em dia
Brasil

PF não identifica destino de R$ 6,2 milhões recebidos por associação ligada a filme

A Academia Nacional de Cultura recebeu recursos de empresas ligadas ao Instituto Conhecer Brasil, segundo documentos analisados na investigação.

Dark Horse: Investigação não encontra destino de R$ 6 milhões recebidos por entidade ligada à produtora do filme

A Polícia Federal ainda não identificou como foram utilizados R$ 6.175.273,64 recebidos pela Academia Nacional de Cultura (ANC), associação presidida por Karina Ferreira Gama, entre julho de 2024 e dezembro de 2025. A empresária também é dona da Go Up Entertainment, produtora do filme “Dark Horse”, dedicado a Jair Bolsonaro (PL).

Os valores vieram de quatro empresas que, no mesmo período, haviam recebido recursos do Instituto Conhecer Brasil (ICB), entidade também ligada a Karina Gama. As movimentações aparecem em Relatórios de Inteligência Financeira elaborados pelo Coaf e são tratadas pelos investigadores como possível triangulação de recursos públicos.

Diferença entre movimentações

A investigação encontrou uma divergência entre os valores recebidos pela ANC e a movimentação financeira formalmente comunicada pela associação. Entre maio de 2025 e maio de 2026, o relatório da entidade registrou R$ 1,1 milhão em operações, sendo R$ 565 mil em créditos e R$ 525 mil em débitos.

Para a PF, a diferença pode indicar a existência de outras contas bancárias não informadas ao Coaf. “Chama a atenção o fato de ser essa a única comunicação de titularidade da ANC”, diz o documento, que aponta recebimentos superiores aos valores registrados na comunicação da própria entidade.

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a operação realizada na quinta-feira (10) e destacou a incompatibilidade entre os registros de terceiros e os dados atribuídos à associação. Na decisão, afirmou que os envios somaram R$ 6.175.273,64 e considerou necessário esclarecer por que não houve comunicações correspondentes sobre as contas da organização sem fins lucrativos.

A apuração busca determinar se recursos públicos foram destinados à produção de “Dark Horse” além do financiamento privado associado a Daniel Vorcaro, do Banco Master. Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, disse ter pedido dinheiro ao ex-banqueiro para viabilizar o filme. Dos cerca de R$ 130 milhões prometidos, R$ 60 milhões teriam sido repassados.

Recursos públicos sob análise

A PF investiga possíveis repasses federais por meio de emendas parlamentares de Mario Frias (PL-SP) e verbas municipais da Prefeitura de São Paulo. O ICB recebeu R$ 1 milhão em emendas de Mario Frias e R$ 108 milhões em um contrato com a Prefeitura de São Paulo para instalar pontos de wi-fi.

A suspeita é que parte desses recursos tenha circulado por empresas e entidades relacionadas a Karina Gama, entre elas a ANC e a Go Up Entertainment. A Polícia Civil de São Paulo também apura se o ICB apresentou faturas e notas fiscais frias para justificar despesas pagas com dinheiro municipal.

A ANC recebeu ainda R$ 2,6 milhões em emendas para uma série sobre heróis nacionais. Os recursos foram destinados por Marcos Pollon (PL-MS), Bia Kicis (PL-DF), Carla Zambelli, então deputada pelo PL de São Paulo, e Alexandre Ramagem, que exercia mandato pelo PL do Rio de Janeiro. Parte das emendas de Bia Kicis e Marcos Pollon não foi transferida pelo governo paulista à associação por problemas normativos e técnicos na formalização da parceria.

Em 2025, Gil Diniz (PL), deputado estadual paulista, destinou R$ 200 mil à produção “Heróis Nacionais – filhos do Brasil que não se rende”. O pagamento ocorreu em agosto daquele ano.

Outra linha da apuração verifica se uma parcela dos recursos pagos por Daniel Vorcaro foi enviada aos Estados Unidos para custear despesas de Eduardo Bolsonaro, que atua fora do país na tentativa de obter apoio do governo de Donald Trump contra a eleição de Lula (PT).

A defesa de Karina Gama declarou que ela colaborou voluntariamente com as autoridades e entregou mais de 20 mil laudas de documentos. Neste domingo (13), os advogados também afirmaram que a retirada do sigilo da investigação foi positiva e reiteraram que a empresária não cometeu ilícito.

Texto produzido pela Redação Rota do Saber com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Entre na nossa newsletterO melhor da semana, sem spam.

Em alta

  1. 1
  2. 2
  3. 3
  4. 4
  5. 5