CALDAS NOVAS — O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) pediu à Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE) a investigação de Luciano Hang e da Havan por possível assédio eleitoral e abuso de poder econômico. A representação foi apresentada na segunda-feira (31), após um discurso do empresário a funcionários de uma loja da rede em Caldas Novas (GO).
O episódio ocorreu em um vídeo gravado em 29 de agosto. Na gravação, Hang fala sobre os possíveis efeitos do fim da escala 6×1 para a empresa e os trabalhadores. Ele afirmou que a mudança poderia elevar os custos e os preços e disse que, caso a jornada fosse reduzida sem alteração salarial, os funcionários teriam de buscar uma segunda ocupação.
A representação menciona que o empresário teria falado em “subemprego”, sem registro em carteira e sem direitos trabalhistas. Para Lindbergh, a apuração deve considerar não apenas a opinião de Hang sobre a proposta, mas também o fato de a manifestação ter ocorrido no ambiente de trabalho, diante de empregados reunidos.
A notícia de fato sustenta que a relação de subordinação e dependência econômica poderia transformar o discurso em uma forma de pressão política. O documento pede a análise do conteúdo integral da gravação, do contexto do encontro, da forma de convocação dos funcionários e de eventual divulgação da mensagem em outras unidades da Havan.
A representação também questiona se a estrutura empresarial da rede foi usada para influenciar politicamente os trabalhadores. Entre as medidas solicitadas estão a obtenção da gravação completa, de registros internos da loja, da identificação dos funcionários presentes e de informações sobre possíveis comunicações corporativas relacionadas ao discurso.
Caso sejam confirmados elementos suficientes, Lindbergh pede que seja ajuizada uma ação de investigação judicial eleitoral por abuso de poder econômico, com pedido de inelegibilidade de Luciano Hang por oito anos.
A gravação também foi encaminhada ao Ministério Público do Trabalho (MPT), que abriu procedimento para apurar possível assédio eleitoral. A representação cita ainda uma ação civil pública do MPT em Santa Catarina relacionada às eleições de 2018. Segundo o documento, a Justiça do Trabalho havia determinado que Hang e a Havan não fizessem propaganda política entre funcionários, não coagissem trabalhadores nem influenciassem suas escolhas eleitorais.
Após a circulação do vídeo, Hang afirmou nas redes sociais que o conteúdo foi “tirado de contexto” e “distorcida”. Ele declarou que apenas havia dado sua opinião sobre uma pauta em discussão no Congresso e defendeu que mudanças na jornada fossem debatidas com responsabilidade. O pedido agora será analisado pela Procuradoria-Geral Eleitoral, que avaliará a abertura de investigação e as medidas cabíveis.







