O uso de ferramentas de inteligência artificial para atividades escolares foi relatado por 48% dos estudantes brasileiros, acima da média de 46% observada nos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). O dado faz parte dos resultados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) 2025, que também investigou bullying e cyberbullying.
Entre os alunos brasileiros de 15 anos, 17% afirmaram passar por alguma forma de bullying algumas vezes por mês ou com frequência maior. Na média dos países da OCDE, o percentual foi de 20%. A pesquisa reuniu informações de 91 países ou regiões.
No Brasil, a ocorrência de bullying não apresentou alteração significativa entre 2022 e 2025. Na maioria dos países e economias participantes, porém, houve aumento no mesmo intervalo.
Cyberbullying e ações nas escolas
O levantamento apontou ainda que 3% dos estudantes brasileiros tiveram informações incômodas ou prejudiciais divulgadas na internet sem autorização pelo menos algumas vezes por mês nos 12 meses anteriores à aplicação do exame. O índice é igual ao registrado na média da OCDE.
Na escola estadual Mário Gurgel, em Jabaeté, Vila Velha, as equipes de Ação Psicossocial e Orientação Interativa Escolar (Apoie) e pedagógica promovem atividades sobre o tema. Segundo a coordenadora pedagógica Sarah Cotta Zanardo Aureliano, estudantes da 1ª série do ensino médio participaram de um encontro no auditório, seguido por oficinas e dinâmicas voltadas à reflexão sobre as consequências do bullying, o respeito às diferenças e a convivência no ambiente escolar.
A equipe Apoie também fez atendimentos individuais com estudantes envolvidos em episódios de bullying. A escola estadual Mário Gurgel é citada como exemplo de iniciativa voltada à prevenção e ao acompanhamento dessas situações.
Como funciona o Pisa
O Pisa avalia estudantes de 15 anos em Matemática, Leitura e Ciências. Em 2025, a prova também analisou a competência de aprendizagem no mundo digital. Organizado pela OCDE, o estudo é realizado a cada três anos e contou com 760 mil estudantes de 91 países e economias.
A legislação brasileira mencionada no levantamento é a lei nº 13.185/2015, que criou o Programa de Combate à Intimidação Sistemática (Bullying). Especialistas ouvidos destacaram a prevenção, a participação da família, a atuação das escolas e a construção de uma cultura de respeito como medidas de enfrentamento.








